segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sensação de batalha perdida

Eu estou tão fraca.
Nunca me senti assim. É tão estranho.
Como se me tirassem um pouco de oxigênio; meu corpo diz que nada está bem, que está tudo errado. Minha cabeça ameaça explodir e meus olhos, secos, não demonstram qualquer reação. Me sinto literalmente oca. Não há nada dentro de mim.
Socorro.
Venha me buscar.
Me leve pra deitar na sua cama, pra ouvir sua voz e sentir seu cheiro. Vamos, venha, não se atrase, não me deixe na espera, não espere. Me tome. Tome conta. Cuide de mim, cuide de nós, não deixe que morra. Não deixe que se vá... Não. Por favor, estou implorando por um pouco mais. De tempo, de vida, de você, de nós, de mim mesma, desse pedaço que eu perdi. Eu estou em você, você está em mim. Um pedacinho de você aqui, guardado com cuidado pra que não se perca. Não esquecerei. Não posso, nem se quiser. E eu quero, pra me curar de você, essa praga que me infectou e me destruiu. Não tenho nada do que reclamar, muito menos agradecer. Que bem você me fez? Nenhum. Nenhum bem. Me trouxe dores de cabeça, apertos, marcas, borboletas, confusão.
E agora só se vai...
Pra onde eu não posso correr.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Controle

Jamais acontecerá.

"Descreva-se", ele disse. "Conte-me quem você é". Pus-me a relatar com desprezível orgulho minhas vitórias, conquistas, troféus, prêmios. Ele, humilde, riu da minha ignorância e pediu novamente: "Descreva-se". Pus-me então, pensando compreender melhor a pergunta, a descrever meu humor bipolar e atípico. Meu humor não é, definitivamente, meu ponto forte, portanto, depois de um minuto ou dois, calei-me. "Fale mais", ele disse. "Sobre o seu humor. Fale mais". Ele percebera. Percebera que eu não gostava de falar sobre aquilo, que era minha fraqueza, e não minha força. Acomodei-me melhor na poltrona de costa comprida e tentei não pensar em quantas vezes já haviam me perguntado sobre meu mutável e problemático humor. Continuei sorrindo, mas conforme ia contando sobre como qualquer mudança na rotina ou no ambiente é capaz de me fazer chorar, meu sorriso foi, contra minha vontade, diminuindo. Quarenta e sete minutos depois, eu estava de joelhos no chão, debulhava-me em lágrimas e sequer podia enxergar meu possível novo chefe atrás de sua mesa. Ele se levantou, sentou-se ao meu lado no chão e perguntou-me: "Querida, diga-me: como eu posso contratar alguém com um emocional fraco como o seu?" Eu pisquei sete vezes para expulsar as lágrimas e fixei meu olhar no dele. "Eu sou boa no que faço", respondi. "Sou a melhor". "Acredito", ele murmurou, "mas", continuou, me deixando assustada, "você é capaz de superar traumas anteriores? Diga-me, e se um dos novos funcionários lhe lembrar um namorado? E se você tiver uma crise de pânico? E se não puder cumprir seu horários? E se ficar doente outras vezes? E se for colocada para disputar uma vaga? E se... E se..." Eram muitas lacunas. Muitos talvez. Muito "se". Com calma, deixando claro cada movimento meu, levantei-me. Arrumei o terno caro que alugara para a ocasião e sentei-me novamente na poltrona. "Sou capaz de controlar meu humor e meu lado sentimental como sou capaz de controlar qualquer outra característica física minha. Não preciso deixar essa fraqueza aparecer". "Prove". Parei de chorar, cruzei as pernas e sorri. "Estou me sentindo péssima", contei. "Um verdadeiro lixo. Não sei mais se vou conseguir o emprego, mas apenas pelo meu sorriso você pode dizer que estou confiante, não pode?" Ele acenou a cabeça. Encorajando-me. "Eu estou me sentindo tão mal como quando tenho ataques de pânico. Mas ninguém tem de saber disso. É o meu auto-controle que me difere do resto. Posso me controlar. E posso controlar todos eles. Por isso mereço estar no topo. Eu tenho controle".
Até hoje repito insistentemente para mim mesma todos os dias: eu tenho controle.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Falsidade pelo preço de um

Diziam que era muito falsa.
Ela, na verdade,
só tentava agradar demais.
Pecava pelo excesso,
errava tentando acertar.
Fazia o que podia
para que gostassem dela:
do sorriso forçado,
das amizades fracas,
da vida sem graça.
Bebia de tudo, falava de tudo,
e no fim, não entendia
nem sentia nada.
Era em agradar
que estava concentrada.
Era boa, afinal de contas.
Não fazia mal à uma mosca.
Mas fazia tudo pelas outras pessoas.
Por si mesma, não escolhia
a comida que comia,
a bebida que bebia,
a casa em que morava,
as festas que frequentava
nem as roupas que vestia.
Pobre coraçãozinho fraco,
mente ingênua,
vida seca e sem emoção.
Quanto mais tentava,
mais falhava
em atrair atenção.
Não a culpo por tentar,
afinal, às vezes,
para que nos aceitem,
para que nos olhem com admiração
ou com qualquer outro tipo de emoção,
fazemos de tudo.
Corremos atrás da aceitação
porque neste mundo de hoje,
ou você é parte do bando
ou é o alvo.
Fofocas, mentiras,
está tudo tão, tão sujo...
E que opção temos?
Tentar ficar próxima
de quem estiver no comando.
É o que podemos fazer
para salvar nossos pescoços.
Para salvar nossas reputações,
usar todos os nossos esforços.
Não importa o que digam,
a fama que criamos
é aquela que levaremos
não importa quão longo
seja o passar dos anos.
Só procuramos aceitação...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre o simples

Não há de ter mudado tanto,
uma vez que vejo nestes mesmos ladrilhos
a mesma sutil beleza que me encanta.
Uma vez enfeitiçada pelo belo
e pelo simples, que ainda vence,
sinto que esse tão usado excesso,
onde tudo tem demais de tudo
e onde o simples não ganha atenção;
Esse excesso vai matar os olhos nus,
os olhos virgens.
As orelhas cruas, as orelhas novas,
as orelhas que só conhecem sons
criados pelo natureza.
Não estão prontos para o Homem.
Hão de usar imaginação para compreender
o que não é assim tão difícil de entender:
a diferença entre aquilo que criamos
e aquilo que ganhamos do mundo
para que apreciemos e aprendamos.
A beleza do simples, que mais me encanta,
parece espantar quem devia ser cativado.
Parece assustar quem devia aproximar-se
para aprender que nada precisa ter muito
para que seja apreciado.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

I

Me orgulho de não ter coração, mas não me orgulho de não ter sentimentos. Melhor ainda: me orgulho de ter alguns sentimentos, mas não mostrá-los, enquanto me envergonho deste coração tão duro e morto que pesa meu peito. Amor; há tempos que não nos vemos, nem nos falamos. Nunca ocorreu o fato, de fato. Quando o senti, era engano meu, não era ele. Ele nunca me viu, tão pouco eu o vi. Eu conheci a paixão, o desejo, a vontade, a humanidade debaixo de cada arrepio vindo de toques às vezes falhos. Mas amor, o tal do amor, o verdadeiro amor, esse não conheci. Nem sei se será prazer ou desprazer quando formos formalmente (finalmente) apresentados. Ouvi histórias. Tristes, bobas histórias. Histórias que me ajudaram a entender o quão inocente, inconsciente e fula fui eu, pensando conhecer o amor. O amor. Ah, o amor. Rezam lendas que este tal de amor anda de braços dados e troca carinhos e confidências com alguém que, ah, eu conheço. Conheço de longa data, conheço melhor do que é saudável, conheço com vergonha. Rezam as lendas que o amor anda, inseparável, com a dor. Esta eu conheço, sim, conheço. Foi no fim de 2009 que experimentei pela primeira vez seu sabor amargo, sua sensação quente e ardida, suas faíscas que causam uma cegueira no coração. Conheci a dor quando vi a morte de muito perto. Mas relatando tudo de maneira rápida, não, não conheço o amor. Espero que um dia sejamos apresentados. Mas, sabe... Não tenho pressa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nos teus olhos

Tanto procurei pelas marcas,
pelos detalhes tão pequenos
que passam pelos teus olhos desatentos.
Os teus olhos que já não têm atenção,
olhos perdidamente escuros,
nos quais mergulho.
E me afogo.
Na agonia da perdição, me jogo.
No fogo do atrevimento, aposto.
Se virá a vitória, nem sei,
tão pouco me importo.
Apenas no brilho agora opaco
nos quais quis manter o foco,
mas por travessura, me equivoco,
e deixo para trás.
Já não vejo mais.
Mesmo na escuridão à qual você me submete
eu ainda procuro pela luz.
Um brilho que na verdade apenas reluz
tudo aquilo que brilha
na sua alma.
E eu procuro por tanto tempo,
com tanta calma,
porque quero encontrar aquilo
que você perdeu de si mesmo.
Aquilo que tanto quero de volta,
aquilo que perdeu-se no tempo.
Em tantos dias, tantos anos
passados à velocidades insanas
que agora reclamo e quero de volta.
Não me abandone agora.
Este brilho que procuro nos olhos escuros
que um dia afogaram minhas mágoas,
na verdade quero dar-te de volta
para que ainda possa me afogar
nestas escuras e perdidas águas.
Águas dos teus olhos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dear Future Me,

Please, remember that I'm just a 15 old girl with some easy-solve troubles, so I have no idea of what kind of trouble you're in now. Also remember that I'm not fine right now; that I'm feeling absolutely sad really often and that I think I have some kind of depression.
But now, talking about something useful, how are you doing? As well as we thought you would? Do we have a job? No, better asking: do we have a good job? I never wanted nothing below 'great', you know it. Although, if we're getting any money...
But forget it, lets talk about something more, how can I say?, interesting. Do we have a boyfriend? If we don't, are we single because we want or...? Oh, no. I can't imagine we have no boyfriend because NO ONE WANTS us. No, I know we have a boyfriend, or some kind of affair. We do, right? (If we don't, please, get one. I'll be in peace when it happen.)
If you have a boyfriend, a job and time to study more, congrats, you're going as well as we wanted since we're 13.
If you have a boyfriend, a job, time to study more and an active social life, you're going much, much better than I ever thought you could go.

To finish this weird little letter, remember to not leave your friends from my time, ok? Especially the girls. These girls are much more important for you, Future Me, than you may think they are. They are important for me now, and will still being, there, in future. I'm sure about it.

Wishing the best,
Present Me.

Uma pequena carta para treinar um inglês sendo estudado e para brincar de faz-de-conta.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sete

Sinto lágrimas ameaçando meus olhos. Eu estava apenas vendo fotos, quando de repente me deparo com uma em especial que fez meu coração congelar. São sete garotas. Certo, são sete garotas lindas. São as minhas garotas. Primeiro, está a mais paia de todas. Depois, a mais sem noção. Na sequência, a nossa pretinha, seguida pela mais hilária. Depois, vem uma outra que é horrorosa. A próxima é uma que eu chamo de prima, e a última é a gêmea da sem noção, que ao contrário, é a mais centrada. Se eu tivesse que descrever cada uma delas em apenas uma palavra, respectivamente, eu diria: honra, sorriso, vontade, coragem, doçura, perdão, serenidade. Por quê? Porque é assim que eu as vejo. Cada uma delas, uma qualidade única, linda, pura e certamente brilhante.
As lágrimas ameaçam de novo. Eu não me sinto feliz, exatamente. Queria ter certeza de que seria para sempre daquele jeito, todas juntas, mas não tenho. Na verdade, sei exatamente como as coisas serão, e isso não me agrada nem um pouco. Tudo vai mudar. Nada será como antes.
Então me lembro de que as coisas já começaram a mudar. Já estão diferentes. Mas eu não me importo, honestamente. Só queria que elas estivessem daquele jeito, como na foto, para sempre. Juntas, lindas, preciosidades que deviam ficar paradas no tempo, sem mudar, sem envelhecer. Apenas permanecendo ali, sorrindo, felizes, completas.
Uma pena que tudo tenha que mudar. Uma pena.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sol

Eu ouço o pio baixo de passarinhos; tenho certeza de que são pequeninos. Um ventinho agudo entra pela janela agora aberta, e eu espero o sol invadir a minha cama. As paredes altas dos vizinhos não me impedem de esperar que o sol me alcance. Eu estou no aguarde, três, dois... Vem, sol. Vem esquentar a minha cama. Vem me mostrar que tudo o que eu digo é verdade, que depois de uma noite lenta e triste sempre há um sol que vem para iluminar e animar. Ainda estou esperando. Nesses momentos que antecedem o nascer do sol, momentos tão raros na minha vida de preguiçosa dorminhoca, posso pensar em mais ou menos vinte e tantas pessoas com quem eu gostaria de dividir esse pequeno e singelo instante de paz. Amigas, amigos, paixonites, amores, família. Consigo pensar em tantos nomes e tantos rostos e tantos sorrisos e tantas risadas e tantas conversas e... ei, lá vem. O sol. Lindo, majestoso, um leão de juba loura e densa que ilumina, aquece, protege. Vem, sol. Mostra a tua glória para a humanidade. Agradeço silenciosamente ao Deus em que eu acredito por esse pedacinho de paz à mais que estou recebendo. Um jato atravessa o meu céu azul, deixa um rastro branco; uma estrela cadente na minha manhã. O sol vai nascer. Logo. Corro para o segundo andar, e voo para a varanda. Só posso ver a luz amarelada do nascer precoce do sol. São 6h33min da manhã. Agora. Lá vem. Fico ansiosa: e se o sol não nascer? Permito um momento de reflexão à minha mente sem descanço - um mundo sem sol, sem luz, sem calor, sem nad- Um pássaro. É preto e azul, e olhou para mim. Olhou direto para mim. Nos meus olhos. Armada da câmera, tiro uma foto. E então outra. O pássaro parece fazer pose para as minhas lentes, e eu dou corda. Duas, três, dez, dezesseis. Dezesseis fotos de um pássaro azul e preto, com olhar cativante. Ele voa, me deixando sozinha com o sol que não vem outra vez. Uma rajada de vento frio me faz estremecer; corro para dentro em busca de alguma coisa, talvez um cobertor. Me contento com um edredom (considerando que é o quarto do meu irmão, é um achado!). Continuo esperando pelo sol, mas ele não vem. Desisto, porque o vento está mais forte e mais frio do que eu posso combater com meu ralo edredom de nailon. Desço as escadas com menos cuidado do que subi. Volto ao quarto e continuo na espera.
Gasto quase 15 minutos fazendo nada no computador, quando finalmente a luz que atravessa a janela fica forte o suficiente para chamar minha atenção. Dessa vez é ele. Tenho certeza. Desesperada por um pouco de emoção antes que acabe caindo no sono, ponho a câmera no pescoço, abro os vidros e pulo a janela. Caminho no concreto gelado (frio! frio! frio!) e vou até metade do quintal. O sol está ali, uma cabeleira loura na vala entre duas montanhas. A vista é inacreditável. Quantas pessoas não passam a vida toda sem ver algo assim?, me pergunto. Milhares. Milhões. Tiro uma foto. Não há sol suficiente, ainda.
Finalmente o sol aparece. Uma aura dourada, brilhante e quente envolve o círculo de fogo. Fogo. É isso que o sol é, certo? Fogo.
Decido que, depois de correr atrás do nascer do sol, é melhor me levantar. São apenas sete e pouco da manhã, e eu devia estar dormindo, mas não há sono. Há apenas um pouco de sede, alguma fome e muita paz.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Charlie (Um, Dois, Três Contos Sem Fim)

Era noite de terça-feira, e lá ia eu. Dia de jogo, eu precisava assistir o meu amado Browns vencer. Com essa vitória, era líder do campeonato com 5 pontos de distância do Dark Bulls, segundo colocado. Eu precisava da vitória para ganhar a aposta com Sony, ou eu estaria devendo oficialmente três caixas de Guiness para um velho grisalho.

Entrei no Poney Town – pois é, o nome é definitivamente estúpido –, e dei de cara com um bando de quarentões gorduchos com os olhos esbugalhados, colados na tela da plasma 42’ pendurada bem em cima da placa que dizia Não assiste se não beber!. Judy, a barman, estava ocupada com um monte de louça da hora do almoço que alguém (provavelmente Lewis, seu marido) não lavara. Me lançou um alô com um aceno e um sorriso desesperado. Sentei então em um dos bancos altos de couro, e apoiei os braços na bancada de madeira velha. Ao meu lado, em uma fila perfeita em ordem decrescente, quatro gorduchos não desgrudavam os olhos da tela da TV. Eu os conhecia: Philip, John, Kurt e Alguma-Coisa Paul. Eram loucos por futebol quase tanto quanto eu, mas gostavam mesmo era de F1. Estava passando a final do GP da Irlanda e, como provavelmente eram pobres demais para conseguirem voar para Dublin para assistir a corrida, estavam ali, no Poney Town, cada um com sua respectiva Guiness, os quatro quase chorando. Não faço idéia de quem ganhou, mas com certeza não era o cara pra quem eles estavam torcendo.
– Alemães filhos-da-puta! – gritou Kurt, exasperado. Era o que estava mais longe de mim, logo na outra ponta. Era baixinho, baixinho mesmo, e definitivamente engraçado. O rostinho redondo ficou vermelho quando ele gritou, as perninhas esticadas como palitos de dente fincadas numa batata gorda. Dei uma gargalhada silenciosa.
Nenhum dos companheiros do Palitos na Batata deram qualquer opinião, mas fiquei com pena de todos eles; pareciam arrasados, como se eles mesmos tivessem perdido a corrida, cada um em seu carrinho à jato.
Me sentei ao lado de Philip, o único dos quatro que eu realmente conhecia, porque era amigo de Sony.
– Ei, Phil – cumprimentei. – Sinto muito pela corrida. Vamos ganhar a próxima?
Nai – respondeu, desanimado. – Somos péssimos.
– Veio ver o jogo, Charlie? – perguntou John, quando eu não respondi Philip.
– Vim assistir a vitória do Browns – respondi, sorrindo. – Os Bulls estão péssimos, então se ganharmos do Tirany hoje, garantimos o campeonato. Vai ser demais.
– Charlie, querida, eu não queria te dizer isso, mas os Browns não vão ganhar! Claro que não vão! – gritou Sony, entrando no Poney Town. Nada melhor do que a companhia do seu pai, que torce para o time adversário, dentro de um bar que ele mesmo lhe ensinou a freqüentar.
– Sony – eu já não o chamava de pai há algum tempo –, eu sinto muito mesmo, mas acho que agora sim, você pirou. Os Bulls estão terríveis, não existe a menor chance de perdermos hoje e, mesmo que os Browns percam (o que é impossível),vocês precisam de cinco pontos para terem chance de vencer.
– Apenas cinco pontos. Com a sua derrota hoje e a nossa vitória amanhã, a distância será de dois pontos. Vai ser fácil.
Nem preciso dizer que o Browns perdeu, o Bulls ganhou no dia seguinte e acabou vencendo o campeonato.

Mas eu devo as caixas de Guiness à Sony até hoje. Não pretendo pagar.

Dose de conhaque

Quando Johna entrou naquele boteco de esquina com seu salto 12cm e seu cabelo louro natural, os olhos azuis piscando através dos óculos de grau Gucci, honestamente, quase ninguém à notou. Os homens ali não estavam atrás de uma bela mulher, mas de uma bela dose de algo forte o suficiente para fazer com que sua memória falhasse e eles tivessem momentos de paz interior, só isso.
Johna só foi notada depois da quarta dose de conhaque com limão; sentada na bancada, lendo um livro grosso - talvez 600 páginas? - e tomando suas doses em goles rápidos e curtos. Vladmir (um clichê), o dono do boteco, resmungando em russo, pediu que ela tomasse cuidado. Não gosta mulher aqui, mas não vai mandar embora, ele resmungou. Não fica ruim, que eu ponho para fora então. Johna levantou rapidamente os olhos do livro e encarou Vladmir por mais de cinco segundos. Todos os outros sete homens sentados na bancada pararam com seus copos à meio caminho da boca para observar o desenrolar daquele momento de tensão. Vladmir, quando finalmente se deu conta de que não era apenas uma garota no bar, quis recuar, mas não havia mais tempo. Johna, então, para alívio geral, sorriu e disse: "Não se preocupe (risadinhas). Estou acostumada à esse tipo de tratamento, mas cresci num boteco de quinta categoria muito pior que esse (sorriso simpático). Estou bem e não vou causar problemas."
Desnecessário contar que os sete homens no balcão se aproximaram dela, o que não surpreendeu a nossa jovem amiga, mas a deixou chateada. Queria mesmo terminar aquele livro ainda aquela noite, antes de voar de volta para casa; mesmo assim, fechou seu romance, sorriu e respondeu à todas as - poucas - perguntas. De onde viera, onde crescera e principalmente como assim crescera num bar de pouca categoria, que tipo de moça bebia conhaque, e outras tantas que nem se lembra. Respondeu o que pode, tentando dizer a verdade. Os sete se cansaram de Johna quando ela estava na décima sexta dose, acredite se quiser. Começava a sentir a perna balançar mais do que devia, e fechou a conta. Vladmir foi justo, nem quis cobrar o serviço. Estava orgulhoso dessa moça desconhecida que bebia como um velho cego amigo seu - e seus olhos azuis lhe lembravam tanto o amigo, que o coração do velho Vladmir bateu mais rápido. Ô, saudade. Pagou a conta com mais dinheiro que o necessário, deixou o troco e saiu trotando em direção ao aeroporto.
No táxi, leu as 48 páginas restantes do romance que carregava. Como previra, o mocinho não era bom, o violão era mocinho e o pai da mocinha era amigo do vilão (do vilão mesmo, não do vilão mocinho). A mãe morreu para dar o tom trágico, o pai na verdade não era pai coisa nenhuma (filha do mordomo, de praxe); casou-se com o vilão que era mocinho e viu o mocinho vilão ir para cadeia com o pai de mentirinha. Tudo nos conformes, como Johna já sabia que seria. Fechou o livro com calma, e o guardou na bolsa pequena que carregava. Tentou cochilar até chegar ao aeroporto, mas esse tipo de cidade (grande, cheia de luzes, viva 24h por dia) não permitia um sono leve à ninguém, nem à Johna. Então ela se encostou no próprio ombro e apenas fechou os olhos, esperando seu destino chegar finalmente.
O voo foi tranquilo, a viagem até o hotel, mais ainda. Porém, quando finalmente se deitou, às quatro da manhã, um desespero chegou e se sentou no pé da cama de casal onde ela dormia sozinha.
Vou me casar. Vou me casar. Vou me casar. Vou me casar. A frase ecoou como um grito surdo e inacabado na cabeça de Johna. Não podia acreditar. Ela ia se casar dali uma questão de horas. Horas. Logo, logo seu futuro marido chegaria para pegá-la no hotel, e eles rumariam para a suíte presidencial de outro hotel, um mais próximo da praia onde a cerimônia aconteceria. Deus do céu, eu vou me casar, ela concluiu, sem saber se isso que sentia era alívio, dor, constrangimento ou desespero. Talvez, apenas talvez, fosse felicidade. Não, não. Felicidade não deixava esse gosto amargo em sua boca, nem essa sensação de mastigar metal quente. Felicidade a deixava relaxada, não estática.
Vou me casar.
Vou me casar.
Mas não quero me casar, diabos.
Virou-se para o outro lado da cama. Há anos que esse lugar era ocupado pelo mesmo homem; o homem por quem Johna era apaixonada. Era? Ou ainda é? Ainda é, com certeza. Ela amava Brian. Amava muito. Então, por que não queria se casar? Na verdade, estavam ótimos como namorados, eternos e tenros amantes, vivendo debaixo de cobertas quentes e à base de filmes românticos com sorvete de menta. Por que casamento? Por que agora? Ela não estava pronta.
Johna então só pode pensar em um lugar para estar: no boteco de esquina do qual saíra há algumas horas, onde tomava doses de conhaque e respondia perguntas fáceis. Era disso que ela precisava: uma dose de conhaque. Só isso. Nada de decisões, casamentos, nada de Brian. Apenas... conhaque.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Jogo

Eu sinto desejo, como todo mundo
e só eu te vejo nesse filme mudo.
De lá pra cá, de cá pra lá
por todo e qualquer ângulo.
Rapaz, eu já decorei o teu sotaque fanho
e eu já não te acho mais tão estranho.
Suas jaquetas de couro eu já contei
e a sua resposta-base pra tudo é "Eu sei".
Acredite se quiser, eu te conheço,
meu caro rapaz, eu sei que não pareço
esperta, mas eu sou.
E embora eu tenha ido, você se esquivou
e me seguiu.
E foi atrás de mim, servil.
Me espera entregar o jogo,
não tenta tirar de mim
a única coisa que eu só perco se disser "sim".

Curto, prático. Um pensamento sem muito nexo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lugar-perfeito 3D

Com as minhas canetinhas coloridas, eu pintei meu próprio lugar-perfeito. Era em 3D, eu podia tocá-lo. Não com as mãos, mas com a mente. Era palpável, para mim. Era real. Um lugar onde eu podia gritar e fazer escândalos, e passar vergonha, e não me envergonhava. Eu me sentia sempre tão...
Daí esse lugar-perfeito foi se transformando. Conforme acabava-se a tinta das minhas minhas canetas e eu comprava novas; porém, a tinta nova era mais gasta e sem-graça, não tão viva, nem tão linda. Parava de parecer um sonho, e passava a parecer-se mais e mais com a minha realidade. A minha fuga virou-se contra mim, transformando-se, insolente, na minha vida. Não procuro pela verdade, garanti-lhe. Procuro por algo diferente do que vejo sempre. Ao contrário do que pensei que fariam (eles, não sei bem quem, mas eles) não me justificaram uma única vírgula. Continuaram a produzir canetinhas não tão lindas nem tão coloridas, as quais me chateavam cada dia mais. O que era meu mundo mágico em 3D tornou-se uma chata realidade em 2D. Essa foi minha sorte; estava apenas no papel. Conforme perdeu a cor, minha verdade imaginária perdeu também a chave da minha cabeça, e aquilo que eu tentava fazer parecer-se com meus sonhos passou a prender-se ao papel apenas. Longe de mim. Cada dia mais longe de mim.
E eu escondendo de mim mesma a tristeza cada dia mais forte pela falta de uma fuga. Sabe, é importante ter um lugar para o qual fugir. Importante demais. Não se pode viver apenas na realidade, porque a realidade é perigosamente maçante. Não importa o quão agitada é a sua vida, sempre será maçante o suficiente para matar-lhe os sonhos. E não discuta. Sabe que é verdade.
Não podemos, simplesmente não podemos sonhar e transformar estes sonhos em realidade o suficiente. Não podemos. Jamais poderemos. A canetinha colorida vai acabar, e acabará por transformando-se em apenas um modo de passar seu desespero em 2D para o papel. Você aliviará sua garganta sufocada, só isso. Continuará sem seu lugar-perfeito, mas terá uma chata realidade transcrita no papel.

(Sem revisão.)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Worth it

Nunca fui lá uma pessoa muito ciumenta. Não mesmo. Acho ciúme um sentimento estritamente necessário, mas com o qual a minha consciência não foi contemplada. Porém, acho digno, depois de termos conhecimento de que não sou ciumenta, compartilhar um fato que descobri há pouco tempo: um único rapaz, até hoje, foi capaz de despertar em mim uma sensação de poder, de cuidado, possessão, de "é meu" e "saia de perto". Passaram-se quase 2 meses desde a última vez que ficamos, e posso dizer, estou orgulhosa. Ele nunca foi bom para mim; o que não significa que não tenha tentado, ou que eu não tenha gostado muito mesmo dele. Aquele gnomo infeliz disfarçado de cantor americano. Um pentelho com cara magricela, cuja única coisa que indicava sua idade era seu RG. Nem seu tamanho nem seus trejeitos o entregavam como adulto. E eu me apaixonei. Por esse menino-homem tão absurdamente obsceno e errado, com o qual eu jamais devia ter me metido. Ele mexeu comigo. Mexe comigo até hoje. Seu nome ainda me interessa. Seu cheiro eu ainda sei de cor. Sei suas camisas e seus tênis, e sei como gosta de se divertir. Me lembro de cada detalhe que aprendi, e o que não deu tempo de aprender, bom, não era importante. Sei sua data de aniversário, seu nome completo, e o meu nome com o sobrenome dele. Ele me marcou. Deixou uma cicatriz grossa e funda no meu pequeno coração, aquele que eu neguei tantas vezes e que quando finalmente entreguei, foi massacrado pela vida e pelas circunstâncias. Mas mesmo com a dor, vou ser sincera: foi bom. TUDO. Cada segundo, cada milésimo de segundo, cada risada, cada sorriso, cada beijo, cada suspiro, cada respiração. Valeu a pena.

sábado, 26 de novembro de 2011

Esquecimento

Eu falei durante muito tempo sobre não desistir. E eu não desisti. Ah, eu aguentei. Eu juro, fui até o fim. Agora, vejo que o tal fim não é realmente o fim de tudo, mas o fim de uma parte, de uma época, de um período. Foi longo e divertido, desgastante, valeu a pena. Agora, já bem mais madura do que eu era (o que não significa madura de fato, veja bem), me surpreendo com as minhas próprias ações. Tanto tempo me forçando, e pra quê? Valeu alguma coisa? Eu ganhei alguma coisa? Não. Não adiantou nada, as coisas continuam iguais. Os sentimentos, as sensações, tudo igual. Nada mudou, nem em relação a mim, nem em relação a nada. O que eu achava que era errado de se fazer com alguém que se ama continua sendo errado. A relação amizade/amor continua sendo difícil, as pessoas continuam me decepcionando e me entristecendo, eu continuo me fazendo de idiota, ninguém parece notar a falta de cor nos meus olhos chateados, e tão pouco parecem ligar. Não é uma reclamação, não - já é tarde demais para reclamar, já não se pode fazer nada à respeito. É uma constatação, é um veredicto. Esquecimento é o nome do buraco em que eu mesma me enterrei. Eu não tenho o poder de magoar alguém como alguém pode me magoar, então eu vou só me aquietar, ficar no meu buraco e no meu canto, e silenciar. Se vão ligar, nem eu ligo. Se vão notar, eu não notei.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Desabafo

Eu não consigo respirar. Dói. Pode anotar aí: depois do choro contido, a respiração fica dolorida. Se as lágrimas não saírem, bloqueiam todo o seu corpo, e a sua respiração fica atrapalhada; seus batimentos ficam desajustados e você não consegue pensar direito.

Não diga outra vez, por favor, que a culpa é minha.

Eu já não suporto mais essa sua voz, que um dia foi tão doce, me dizendo o quão petulante eu sou. Esfregando na minha cara que tudo que eu faço fica ruim, e que é só eu entrar na conversa que tudo vai pelo caminho errado. Pára.

Pára de me bater, de me machucar sem me tocar. Pára de fazer de mim um fantoche para qualquer que seja esse seu jogo macabro, por favor. A culpa não é sua, tá bem. Mas ela também não é minha. Não toda, não é? Por favor, me poupe. Só um pouco. Me dá uma brecha para respirar. Mas eu não consigo respirar. Então me dá uma brecha para pensar... mas pensar também está difícil.
Então me dá uma brecha pra eu me acalmar. Por favor. Me deixa em paz, só um pouquinho. Me deixa quieta no meu canto, por que eu sempre tenho que estar no meio de tudo que você planeja? Não pode só uma vez me deixar fora de tudo? Eu sei que sou importante na sua vida, uma das peças principais, mas por favor, me deixa de fora. Não suporto mais essa pressão.

Eu não quero nada disso. Mas isso não quer dizer que eu não te amo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Espera

Não precisa ter vergonha do que vão pensar.
Venha e diga que você queria estar aqui comigo.
Eu posso te esperar, mas não para sempre
nem por muito tempo, nem por pouco tempo.
Eu posso esperar até as rosas se fecharem,
talvez até o pôr-do-sol aquarelar a cidade.
Posso esperar até os passos cessarem
e a passarela ficar quieta.
Posso te esperar, mas é com medo, com receio,
com preguiça. Uma grande preguiça.
Se você não vier, bom, saberei que foi em vão
que me sentei no chão duro e frio e esperei.
Esperei indefinidamente
eternamente
erroneamente
inteiramente.
Mas quero que você venha.
Acredito que você vai vir, afinal, não foi em vão.
Nada é em vão quando se trata do que você diz
com o coração para aquele que você ama.
Ama? Vá lá, gosta. Atrai, seduz, cultiva.
E enquanto penso, eu te espero. Espero, espero.
Espero até a Lua me tingir de branco,
até não ser necessário poste, porque as estrelas
iluminam cada ruela dessa cidade aquarelada.
Vindo de você, não vou me surpreender com nada.
Com a sua chegada, vou me alegrar, e com a sua ausência
vou alimentar uma esperança sem base, fundação,
uma esperança que vem da minha essência.
Mas se lembre do mais importante de tudo,
lembre-se de que eu esperei porque me importo.
Lembre do que você me disse, dos olhares, dos abraços.
Não precisa ter vergonha do que vão pensar.
Venha e diga que você queria estar aqui comigo.
Eu vou te esperar.

Aquela noite

Observe enquanto a luz
travessa atravessa a janela.
Observe a leveza dela
e o bom-dia que ela traz.
Pelas cortinas cor-de-dia
ela passa e ilumina
o escuro que salva a lembrança
daquela menina.
Engana-se quem pensa que ela não pensa,
que não tem consciência.
A vida é apenas uma simples
sequência de fatos que importam.
A vontade de repetir a dose
- fora de controle -,
ela engasga ao lembrar daquela noite.
Sorriu, conformada,
afinal, para sempre será lembrada
aquela determinada noite
onde o seu sorriso valia
mais que qualquer coisa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No escuro

Estou deitada. Completamente torta, com os braços abertos; remexo os pés e os enfio debaixo do edredom. Aspiro fundo e sinto meu próprio cheiro, uma mistura de perfume doce, suor e preto-e-branco. Dá pra entender? As portas estão fechadas, e assim me sinto mais segura. As janelas estão com as travas baixadas e os vidros refletem a pouca luz que vem do monitor. Estou cansada. Devia me levantar e dobrar as cobertas debaixo de mim, mas existe praticamente uma força jedi me mantendo presa ao colchão. Suspiro e sorrio para o escuro. A que nível chega minha preguiça? Movo meu corpo mais para a esquerda; aparentemente, meu lado da cama é o direito, mas estou quase caindo. Olho pela janela e forço meus olhos, já ajudados pelos óculos de lente grossa, a enxergar alguma coisa, mas a penumbra é profunda e o vidro reflete minha própria imagem. Algo chama minha atenção para o escuro e é frustrante não conseguir ver. Não é um som, ou luz, ou sombra - mesmo na escuridão. Apenas o nada, silencioso e pacato como sempre, atraindo meus olhos. Tenho medo de olhar intensamente e me assustar com qualquer movimento, mas não controlamos a intensidade de ato algum. Fixo o olhar num ponto qualquer e espero. Espero um ruído, espero uma luz repentina, espero qualquer coisa, mas nada vem. O uivo do vento pela fresta da janela me tira da minha viagem noturna, e me toco de que são quase três da manhã e eu ainda estou aqui, analisando o nada que há para ser analisado. Fico quase contente em não conseguir dormir; isso significa que quando o sono vier, será profundo, manso e me afogará em escuridão. Decido finalmente por fechar o notebook inutilmente aberto ao meu lado; a música de fundo eu nem conheço. Devia me levantar e trocar de camiseta, mas também há preguiça demais pra isso. Jogo o celular para algum lugar que não embaixo das minhas costas, fecho o computador e viro-me para a parede. Um vento muito frio passa pelo mínimo espaçamento da janela, e tenho certeza de que ele traz o sono. Fecho os olhos (ainda maquiados) e respiro fundo.

domingo, 30 de outubro de 2011

Carente?!

Vai me dizer que você nunca "chorou" por um abraço? Aquela vontade de sentir carinho, de ser beijada, de ser abraçada. Aquele momento em que você tem um surto de realidade e percebe que está sozinha - e a palavra ecoa na sua cabeça inúmeras vezes, tira seu sono, acaba contigo. Aquela sua vontade incontrolável de encontrar alguém pra te dizer algo bonito, algo que fofo. Um único segundo em que você tem certeza absoluta de quem não vai suportar nem mais um minuto sem ter o tal namorado. Sim, você já passou por isso. Em algum momento da sua vida, talvez tão curto que você nem tenha notado, talvez tão longo que tenha te machucado. Talvez não tenha chegado ainda, mas vai chegar.
Carência é uma palavra que me assusta. Quando reflito sobre o significado dela, entendo que é a dependência plena e aceita de outra pessoa. Às vezes apenas do tratamento que a pessoa te dá. Carência é um problema muito, muito sério na vida de qualquer pessoa.
Posso dizer que a carência já me levou a correr atrás de quem não valia a pena. Já me fez chorar e sorrir e comemorar pequenos sinais de que havia interesse, para que então, em pouco tempo, eu quebrasse a cara. Típico. Mas não vamos perder o foco.
Se você nunca se sentiu carente, precisando de um abraço, de um beijo ou de qualquer carinho, você não é humano. Infelizmente eu tenho certeza quando afirmo que todo mundo já esteve carente.
Não importa se por pouco tempo ou se por muito tempo, não importa mesmo. A carência é um sentimentos cretino que mata. Mata a alma, esperança, destrói o coração e o psicológico.

Mas não tem problema. Basta procurar, procurar com vontade, que você vai achar alguém pra suprir a sua necessidade de amor. Nem que seja só por alguns minutos, talvez uma hora.