sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sorry for the weakness

I miss you.

So, I watched you go. You have never told me that some day, I'd be alone. Why? Why you didn't warned me? I'd... I would... I would try to get prepared; for the loneliness. For the fear. For the dark side of a broken heart. You left me with a kiss and the last try. Away. You are away from me. So far away.
I never thought you would still remembering me after all this time. I had time to think about it, and do you know what I realized? You have never lied. Not even once.
You've never said you love me. You've never said you wanted me to be yours. You've never hugged me truly. You've never...
I mean, the only thing you've done to me was give me scars and pain. You've hurted me deep, but whatever, now you're away, it doesn't really matter a thing.

(Unfinished.)

terça-feira, 1 de maio de 2012

220

E lá vem elas.
Malditas borboletas.

Nem as vejo chegando. Parece que quando tenho certeza de que a janela está fechada e a porta totalmente chaveada, com direito a correntinha e olho-mágico, elas já passaram pela minha segurança mal-armada e pousaram direto no meu estômago. Um looping pra cada toque do celular, um piscar rápido de olhos à cada buzina. É a tensão e a emoção de uma nova chance... jogada no lixo. Por que as coisas sempre começam tão mal?

Num dia é um sorriso, e é um som tão bom de se ouvir, nada mais além de um "filho-da-puta" amigável atirado através do ar. No outro dia, posso cortar a tensão sexual com uma faca de cozinha ou até uma tesoura cega. É palpável e assustadora. Fico diminuta perto do tamanho da minha inexperiência; sou assim tão infantil?!

Então, preocupações tão maiores tomam minha atenção, e sequer desvio o olhar do meu caminho por demais estreito e por demais curto. O objetivo está ali, mas não quero alcançá-lo. No entanto, ele vem. Eu o encaro com a força que tirei de dentro do meu pobre coraçãozinho recém-degelado. Não dói. Não me machuca. Não me custa. Só me gusta. Estou pronta, e então passou, como um tiro. Estou à salvo.

Mas o caminho para casa me deixa com muito mais medo do que eu poderia imaginar. Enquanto eu pensava estar salva, aquelas borboletas, malditas borboletas, acordaram do sono leve demais e começaram a voar. Alçaram um voo raso e ameaçador ao meu redor. (Estou em perigo estou em perigo estou em perigo). (Outra vez).

Um jogo de cor sobre cor.
Estou perdida outra vez.


Não consigo descrever como quero vomitar ao pensar na minha falta de tato. Sou uma verdadeira criança. É muito pior do que eu podia ter imaginado.

sábado, 21 de abril de 2012

Qualquer coisa velha na gaveta


Existe um outro sorriso
que me ajuda a não definhar,
a te esquecer um pouco,
a não enlouquecer.

Não é nada perto do teu,
que também me faz sorrir,
que me faz sonhar
e que eu não consigo esquecer.

Mas é muito, uma vez
que de você, não posso
ter nada
graças à distância.

É bom pra mim.
É suave, é bonito,
me deixa vidrada,
como o seu fazia.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um dia esses dias virão

Feche a porta e apague a luz, que minhas memórias querem dormir em paz. Estão cansadas de serem frequentemente lembradas, usadas como ponto de encontro entre uma festa e outra. "E aquela noite em que estávamos na sua casa, se lembra?". E lá vai a minha cabeça, procurar nos confins dos dias de glória já esquecidos um momento específico, uma lembrança boa, um sorriso, um beijo já esquecido, amassos numa cadeira ou num sofá qualquer. Um dia ou uma noite em que estávamos por demais bêbado ou cansados para nos lembrarmos de um ou outro sinal, notado talvez por um ou dois de nós. Bons tempos aqueles em que eu tinha tudo guardado comigo; mas hoje são tantas noites e tantos momentos, tantas risadas e piadas, que desculpe, não vou me lembrar daquela sobre a galinha que pulou uma cerca.
Posso, daqui uns vinte anos, enviar-lhe uma carta dizendo "Querida amiga, achei justo lhe dizer que numa noite dessas, sonhei com aquela festa na minha casa - e se você não se lembra, posso ajudar dizendo que foi aquela em que estávamos rindo da menina que bebeu muito conhaque", e assim por diante. Posso, talvez em uma década ou duas, telefonar no meio da noite, numa terça-feira, lá pelas três e pouco da manhã, apenas para dizer que, finalmente, me lembrei de como era a voz daquele personagem dos vídeos que nos faziam rir tanto... Eu espero que esses dias cheguem de fato, e que, então, eu me lembre de ter previsto tudo isso. Essas recordações, esses momentos em que percebemos que a vida já passou, e que nos orgulhamos da nossa juventude.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Veio

Veio para acordar o que estava calmo.
Para me ver debater
entre dois travesseiros,
mexer com o que estava quieto
há algum tempo.
Veio para ser outra vez o meu tormento.
Tornar-se outra vez necessário;
tornar-me outra vez dependente.
Despertou a saudade.
Do teu corpo quente,
do teu sorriso branco,
do teu hálito morno.
Dos beijos com que você
pagava o meu suborno.
Veio para reavivar
um sentimento que já estava morto.

domingo, 25 de março de 2012

Ela não queria batatas no forno

Está com 27 anos.
Ela sempre se imaginou morando em um apartamento pequeno, talvez uma cobertura barata, de paredes velhas, tijolinho à vista, com janelas imensas de vidro; um espaço de uns 200 metros quadrados sem divisórias. Uma banheira antiga, uma cama de mola, umas cadeiras e vários quadros grandes nas paredes. De preferência fora do Brasil. Não precisava ser New York nem Paris; ela aceitava uma cidade pequena, com poucos prédios, um jornaleco onde trabalhar e ruas tranquilas por onde pudesse passar de madrugada, sozinha, sem temer a próxima esquina. Imaginava-se solteira, com talvez um amante de quintas-feiras. Seria amiga do dono do café, que saberia de cor o seu pedido, um cappuccino açucarado e talvez até um biscoito de baunilha para acompanhar.

Mas ela se encontrava no segundo andar de sua semi-mansão, luxuosa, vista para o mar. O filho mais velho batia em qualquer coisa de metal no quarto ao lado, enquanto o mais novo gritava por comida, lá na cozinha. Ela estava cansada, mas ninguém entendia, afinal, o que uma dona-de-casa faz que a deixa tão cansada? Olhou para o relógio: 18h02. Ele ia chegar à qualquer momento, e não havia terminado de assar as batatas. Se as malditas batatas não estivessem prontas, sabe-se lá Deus o que ele ia quebrar dessa vez; ela torcia para que não fosse outro osso. Aumentou a temperatura do forno no mesmo instante em que ouviu o porteiro eletrônico sussurrar em sua voz metálica que o portão havia sido aberto. Tarde demais. 18h04. Não havia mais tempo. Colocou as panelas na mesa, espalhou os talheres e gritou para os meninos descerem. 18h06. Devia ter ido direto para o quarto, tirar os sapatos de $2.000 que tanto gostava. 18h07. As batatas continuam no forno. "Mulher!", ele grita, e o coraçãozinho frágil dela pula para a garganta. "Mulher", não, por favor. Mal sinal. "Está surda? Suba!". Ela esconde o desespero entre os cabelos curtos cacheados, arranca o avental de linho numa puxada e sobe as escadas. Não sabe o que é pior: demorar para chegar, ou chegar. Ele está com o blazer na mão, um sorriso irônico no rosto. "Feche a porta". Ela nem se vira: estica a mão e fecha a porta de madeira maciça, pronta para mais uma sessão rápida de sofrimento.
As batatas ainda estão no forno, e ela só queria estar num apartamento de 200m², com janelas grandes de vidro e uns quadros pelas paredes.

sábado, 24 de março de 2012

TAE

Sempre fugiu ao meu entendimento a incapacidade que certas pessoas (sem indiretas) têm de prolongar o próprio sofrimento. Elas mantêm seus pensamentos e sentimentos direcionados para aquilo que as machucou, independente de ter sido ontem ou há três anos atrás. Isso não fazia qualquer sentido pra mim. Quando algo nos machuca, nós fugimos disso, escondemos as cicatrizes sob mangas longas e procuramos novas quinas para batermos o cotovelo. Ou seria isso o correto, o natural. É o que o nosso corpo faz contra qualquer choque, seja mecânico ou psicológico.
Então, quando eu me vi na situação que eu sempre julguei inteiramente insana, tive três reações instantâneas: rir de mim mesma, chorar pela minha falta de senso comum e procurar uma saída. E foi procurando a saída que eu finalmente entendi que as pessoas não prolongam suas dores; elas simplesmente não sabem como deixá-las para trás. Sendo assim, criei o que eu mesma chamo de TAE - Tratamento Anti-Ele.
Você ignora. Você ignora. Você ignora. Mas não é só não responder as mensagens, não. Você não lê as atualizações do Facebook. Você não fala com ele por msn. Você não atende ligações. Você não conversa sobre ele, não desabafa sobre ele, não pensa nele. Você chora quietinha de saudade e não conta pra ninguém; e engole a humildade. Não engole o orgulho, não. Engole a humildade. Você pensa em si mesma como alguém que simplesmente não tem tempo nem paciência pra gastar com, pfff, ele.
Na verdade, é desgastante. Mentir primeiramente para si mesma, depois para quem está ao seu redor, e depois para ele. E não é tentar enganar, é mentir. Fingir. Com o tempo, a mentira vai virando a realidade, e o que antes você só queria que fosse verdade, se torna real. Com o tempo, as coisas mudam de figura, as cicatrizes finalmente secam e o seu coraçãozinho machucado volta a bater.

Você está pronta para um novo começo.





segunda-feira, 12 de março de 2012

Cheiro de chuva é coisa de interior

- Está sentindo esse cheiro?
- Que... que cheiro!?
- Esse cheiro de chuva. Você não tá sentindo?
- Cheiro de chuva? E desde quando chuva tem cheiro?
- Lá na minha cidade tem.
- Lá vem ela...
- E aqui também, mas aqui fica cheirando a asfalto. Lá cheira terra.
- Ah, menina, você é muito caipira.
- Pelo amor de Deus, use o seu olfato. Sente esse cheiro.
- Não tem cheiro nenhum.
- Você não sabe sentir cheiro, rapaz?
- Cheiro de terra? E eu lá vou querer sentir cheiro de mato?
- Quando você for comigo pra minha cidade, você vai entender.
- Nunca vou entender.
- É o melhor cheiro do mundo.
- E desde quando qualquer coisa relacionada a chuva é boa?
- Chuva é ótima.
- Nem sei como está chovendo, tava um sol horrível agora há pouco...
- Meu Deus, que cheiro bom.
- Para de falar desse cheiro de interior.
- O cheiro é de terra. De chuva, na verdade.
- Nem você sabe.
Olham através da janela da sala de aula. Estão no quarto andar. Ela sorri para as ruas asfaltadas e observam o cinza se tornar preto debaixo dos pneus dos carros.
- Sempre que chove, alaga algum lugar.
- Não é bem assim.
- É sim. Chuva só traz coisas ruins para as cidades.
- Ouve o que você tá falando, cara.
- É sim. Devia chover só no sítio.
- E como é que nós íamos nos refrescar? Olha esse calor infernal! Agradeço pela chuva, valeu São Pedro.
- Você é muito do sítio, mesmo.
- E você é muito urbano, não dá valor.
Um minuto de silêncio, enquanto ele via ela sorrir de novo, os olhos piscando pesado, a alegria guardadinha no coração cheio de saudade de casa.
- Lá... você saia na chuva?
- Sempre que podia.

Ainda está chovendo quando eles descem as escadas, e quando chegam no ponto. Ele entra no ônibus, mas ela continua a pé. Ele pensa em chamar, em dizer de novo que ela é louca, mas sabe o quando importa ter um pedacinho de casa por perto. O pedacinho dele acabava de dobrar a esquina.

sábado, 10 de março de 2012

Tão pouco europeu

Era tão francês; até o modo como mexia o seu café. Nos seus dentes francamente brancos, o reflexo de alguns dias ruins. Porque, sabe, as coisas ruins marcam a gente. O mais engraçado é que nem sempre fora tão francês, tão clichê, tão listado. Era bem americano, com seus McDonalds e sua mania de CDs e gordura saturada. Mas nem agora, francês, gostava de chuva; preferiria inteiramente um dia no shopping à um dia num café. Tão pouco europeu.

Só que nas marcas dos dedos, eu via que era mais másculo do que o francês permitia, mais delicado que o alemão aceitava, menos gordo do que o americano seria, tão bonito quanto qualquer grego nascia. Nos olhares escuros lançados, que não reluziam à luz forte do meio-dia, haviam sorriso tortos, de canto de boca, chorando. Mascava chiclete e carregava um livro. Conquistou.

Passava o dia à tinta e papel, porque era escritor por fora, e carregava sua Polaroid antiga, comprada à preço caro, porque era fotógrafo imediatista por dentro. Não queria para amanhã, queria para ontem, porque nem o hoje era rápido suficiente. Para um fotógrafo nato, aguentava pouco a tensão da darkroom. Imediatismo? Não era francês. (Tão pouco europeu.)

Só que conquistava mulherzinhas de pouca índole; aquelas que procuravam um romance nada original que seria contado em rodas de vinho barato, às nove da noite, em alguma reunião semanal de amigas antigas. Além de mainstream, pouco europeu. Mas ele?, ele não ligava, porque para cada romancezinho, criava uma personagenzinha, que conquistaria milhares de leitorezinhos e lhe traria um dinheiro nada 'zinho'.
Ligava demais para a casa em que vivia e a comida que comia.

Tão pouco europeu.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Previsão concretizada



Oi, gente!
Faz tempo que eu não faço um post, né? Só textos e textos e textos de amor, saudade, viadagem pura, etc.
Agora eu voltei um pouco pra contar uma coisa MUUUUITO legal que aconteceu, e que eu achei digno de compartilhar com vocês.

Eu estava em uma loja aqui em Apiaí, esperando na fila pra pagar (oh lord), quando encontrei uma revista e comecei a dar uma olhada. Era uma revista antiga do Inverno 2011, mas mesmo assim, achei interessante dar uma olhada. E qual não foi a minha surpresa quando, de repente, uma página sobre sapatos da moda 2011 mostrava um modelo que eu apostei como tendência aqui, no BdA! Nesse post aqui, que eu falei sobre as possíveis tendências de inverno (mas que foi bem pouco visto), eu disse que um oxford de salto, da marca Werner - marca nacional, lá do Rio Grande do Sul - seria uma mega tendência... e não era ele, justo ele, que estava na revista? A foto é a mesma!, e eu vou mostrá-la aqui pra vocês (a foto foi tirada com o celular, então não liguem):




Então é isso, eu só queria mostrar pra você porque fiquei muito feliz com essa coincidência incrível.
Logo menos eu faço mais posts, ou mais textos.
=)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agora está apenas no passado

Há tempos que as coisas mudaram, mas quando você fecha os olhos para aquilo que não está como você quer, ninguém pode te fazer enxergar nada. Você tem que querer ver.
É, as coisas não estavam bem. Apenas um deles sofria, apenas um deles sentia, apenas um engolia o choro e sorria pra depois poder explodir. Não se tem certeza se era realmente apenas um, ou se ambos estavam sofrendo, e um fingia melhor que o outro. Só tenho certeza sobre uma coisa: havia mais dor que prazer; havia mais tensão que compreensão; havia mais raiva que amor.

Não é de hoje; é de dias atrás.
Como você não me ouve,
nem percebeu que o meus sorriso
ficou para trás.
Parece que não me enxerga,
nem à mim, e nem ao mal
que você me faz.

Assim como o tempo, que leva para longe o que já nos trouxe dor, a memória vai apagando aquilo que não nos agrada mais... E devagarzinho, como um sopro de vento no verão, rápido e curto, vamos demolindo a dor, vamos limpando a sujeira que o passado não conseguiu levar. E as coisas vão passando, e melhorando, e se apagando, e melhorando, e sumindo, e rezamos para que não voltem mais. E só podemos rezar para que não saiam do passado, e que lá permaneçam.

Só podemos desejar que a dor fique em seu devido lugar, e que não nos atormente mais.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ela chora, ela volta

Demora,
mas a gente acorda.

Apanha um pouco,
a gente até chora.

Um conselho louco,
e eu estou de volta.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

As coisas mudam para alguns

Eu estou deitada, agora. E como na maioria das noites, me lembro daquelas que passamos juntos. Você ainda se lembra? Dos sonhos que contávamos, dos beijos, dos abraços, dos momentos de ternura entre um fôlego e outro... Quando eu dizia que você era único, e você só duvidava. Era verdade, sabia? Você foi único. O único. Que me alcançou, que conseguiu tocar meu coração, minha alma, minha essência. Não vou me esquecer de você, mesmo sabendo que depois de muitos rostos, você se esquecerá do meu. Se esquecerá de mim. E na verdade, não é um problema; o primeiro, a primeira, é sempre importante... Mas eu fui só mais uma, que diferença fiz? Nenhuma. Não me importo, na verdade. Sei que entre tantas experiências, entre tantas garotas, entre tantos momentos, entre tantos amassos e tantas conversas, eu fui nada. Eu fui um pequeno espaço de tempo, uma pausa longa demais entre um sexo e outro. Porque eu me entreguei, mas nunca por completo. Eu sabia que você não se lembraria, ou que não seria para você nem um terço do que seria para mim. Afinal, quem faz 10 vezes faz 11, mas nem todos que fazem 1 fazem 2. O que quero dizer é que você foi muito especial pra mim. Muito mais do que eu fui pra você. E apesar de eu estar dizendo, de ser eu a única culpada, e de tudo isso ter acontecido e chegado onde chegou por atitude e passos e força minha, não me arrependo. Na verdade, penso que nem você. Ou talvez sim. Na verdade, talvez sim; só tempo desperdiçado, uma garota entre tantas. "Nem é mulher ainda" você vai pensar, ao olhar para mim e se lembrar de tudo o que aconteceu. E eu vou tentando esquecer. Tentando apagar. Tentando me acostumar com a ideia de você e sua nova namorada vindo pra cá, tentando imaginar a sua reação ao me ver de novo, tentando imaginar como as coisas vão ser daqui pra frente. Porque eu não faço ideia. Não tenho nem imaginação suficiente para isso. Você vai estar completamente diferente ou exatamente igual? Que medo. Medo de você não ver mais em mim o que viu naquela primeira noite. E então? Por isso eu quero apagá-lo já da minha cabeça; poupar a mim mesma da humilhação de tentar fazer você ver em mim o que quer que tenha visto naquela noite mais uma vez. Não quero me humilhar. Não quero esfregar meu rosto nos teus pés, implorando por atenção, carinho e amor. Não. Você vai estar com a vida pronta, andando, nova, com gente nova e caminhos novos. Eu vou tentar me manter fora do seu caminho, da sua vida. Quando você voltar, serei tão invisível que você sequer vai notar que não me viu; não que eu pense que você sentirá saudades. Isso é coisa minha, eu que sinto. Mulheres. Mulheres (ou garotinhas como eu) sentem saudades de paixonites duradouras de um verão ou dois. Nada sério. Vou esquecer, para que assim, quando você voltar, eu possa te dizer tudo isso rindo, como se fosse uma daquelas piadas compridas das quais gargalhamos ao ouvir o desfecho cômico e inesperado. "Ela acabou por superar o cara". É esse o desfecho cômico da minha piada longa.

(Não me lembrava de ter escrito isso.)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Querido amor não-correspondido,

tenho ótimas notícias. Para você, e mais ainda, para mim! Estou começando a tentar esquecê-lo, sabia? Encontrei por essas ruas mal iluminadas um sorriso que, embora nem de longe me ilumine, acenda, inflame ou encante tanto quanto o seu, me faz sorrir também. Estou mais feliz do que infeliz, agora, e isso é muito bom. Significa que o meu coração já está deixando o seu peso de lado... que estou começando a tentar. Tentar te esquecer, ou te superar. Tentar trocar o disco, virar a página, pular o capítulo. Não é uma ótima notícia? Se você ao menos fosse louco por mim como sou louca por você... Juro que nada disso aconteceria. Eu seria forte, como tenho sido. Você nem sabe, mas tenho lutado por nós, contra a distância e a falta que você me faz; uma luta árdua, mas que mostrou seus resultados; eu fiquei firme ao seu lado. Não beijei outros lábios desde que você se foi. Não quis ninguém, nem em sonho, nem em pensamento, nem por um instante. Só você.
Sabe, Amor Não-Correspondido, nós podíamos ter sido um casal e tanto. Mas existem tantas coisas difíceis, não é? Tantas pessoas e opiniões, e palpites e fofocas, e coisas fulas e tolas e inúteis que acabaram com qualquer possibilidade; ou talvez tenhamos sido apenas nós mesmos, presos à medos antigos e vergonhas imbecis, coisas que nos impediram de sermos felizes juntos. Pense nisso, por um momento, só um instante; olhe para aquela possibilidade intocada, os momentos que teríamos passado juntos. Imagine como as coisas teriam sido diferentes. Imagine como seriam diferentes agora.
Mas tudo bem, não é? Estamos bem, agora. Estou te esquecendo, ou começando, ou tentando começar. Um dia, você será apenas uma boa lembrança, uma lembrança marcante, uma cicatriz linda que ficou tatuada no meu passado. Um dia, me lembrarei de você com carinho e talvez alguma raiva, por não ter feito tudo dar certo.
Mas haverá carinho, acima do ódio.

Com amor,
seu nunca descoberto amor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Existe uma história

Eu só sei contar a nossa história.

Conto a todo momento, para quem quiser ouvir. Sobre o quanto nos odiávamos, e o modo como você sempre me deixava sem saber o que fazer. Eu nunca sabia o seu humor, e você dizia que não sabia o meu. Eram duas tempestades indo ao encontro uma da outra... E como tempestades, ambos possuíam momento de calmaria. Uma calmaria extrema e delicada, doce como açúcar, leve como algodão; podia durar cinco minutos ou duas semanas. Não sabíamos lidar um com o outro. Eu era extremamente arrogante e prepotente; você era sedutor e mandão. Eram duas forças incompletas, falhas. Precisávamos um do outro, embora jamais fossemos admitir. E agora, agora que você está longe, agora que sou apenas uma tempestade solitária e caótica, percebo a falta que o seu desespero e a sua própria arrogância me fazem. Vejo que tudo me faz pensar em você, no que você me dizia, nas nossas brincadeiras, nas conversas sérias, nos conselhos, nas confissões. Fica difícil, cada dia mais difícil, conviver com a sua ausência...


E ver que o tempo todo, eu me lembro de você.

(Desabafo).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um coelho

Quando comecei a caminhar, me peguei com o telefone na mão, pronta para começar a digitar uma mensagem perguntando onde você estava. Percebi também que havia um sorriso no meu rosto, porque ele se desfez. Não consegui pensar em mais ninguém para mandar uma mensagem, sabia? Piscava apenas o seu nome, grande e brilhante dentro da minha cabeça. Ergui os olhos para o céu, na esperança de segurar as lágrimas que, até agora, eu não tinha derramado. E quando olhei para cima, encontrei uma maravilhosa lua, redonda, branca e brilhante, pronta para atrair a minha atenção e me distrair de todo resto. Eu estava pronta para me entregar às divagações que logo viriam, quando me dei conta de algo que tirou meu sorriso desesperado do rosto. Era definitivo, então? Eu estava apaixonada? Por... por... você?! Não era possível. Eu não conseguia acreditar! Mas ali, na lua, nos meus pensamentos, nos meus dedos prontos para escrever a mensagem, na imagem do seu sorriso na minha mente, em tudo estava estampado: eu estava apaixonada. E por você.
Não podia pensar em pessoa pior.

De modo algum porque você é um cara ruim; não mesmo. Você é perfeito pra mim. Mas... está tão longe. E não é recíproco. Você definitivamente não se mostra interessado por mim, e eu aceitei isso. Foi aceitando isso que concluí que não estava apaixonada; me recusava a estar apaixonada por alguém que não dava a mínima pra mim. Mas eu estava. Muito. Uma pequena adolescente boba e inexperiente, pronta para se jogar de ponta no primeiro romance que aparece. Pelo amor de Deus, eu já havia tido o bastante de paixonites por um longo tempo. Não conseguia acreditar em tudo que estava acontecendo. Não conseguia acreditar que, meu Deus, era por você que o meu coração se agitava. Não, não, não, não e não. Tinha que haver outra explicação!
Mas não havia. E, infelizmente, eu só me dei conta disso agora. Tarde demais.
Tarde demais.


(Eu vi um coelho na lua.)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Lava, chuva

Chove, chove. Chove, chuva.
Lava de mim a saudade
e tudo que me machuca.

Chove, chove. Chuva, chove.
Leva com você lágrimas
que no meu rosto, escorrem.




domingo, 5 de fevereiro de 2012

A história no verso dela

Ela, que sempre fora assim, desse jeito largado,
com as roupas frouxas demais no corpo delgado,
o tempo todo sentindo na boca um gosto amargo
e sempre tentando não fazer nada errado.
Ela, que nunca sabia se devia rir ou não,
que ainda tinha brigas de sangue com o irmão,
que tinha problemas na perna, do tornozelo à coxa
e vivia quebrada, machucada e roxa.

Essa garota estava com o coração quebrado. Fora quebrado por um rapaz que não lhe deu o devido valor, como a maioria dos contos de fadas que temos hoje. Numa garrafa de cerveja ou num chiclete sempre havia a chance de um beijo roubado, ela pensava. Ele pensava. Eles sentiam. Eram atraídos, até que ele a deixou por aí, o gosto salgado ainda mais forte na boca depois da abstinência do beijo dele.
Não houve razão, motivo, não houve pedido de desculpas nem de permissão. Apenas houve. Sem antes, sem depois. Só lá, naquele momento, existia tempo. Todo tempo do mundo.

Ela tinha coragem, ela tinha peito pra ir,
ela não tinha nenhum medo, nenhum medo de seguir.
Ela sempre foi uma menina que pensava como mulher
e nunca deixou de fazer tudo como quer.
Mas quando o coração bate forte demais por alguém
você perde a noção, passa a ser ninguém...
Quem tinha muita coragem e deteminação
passa a perder a força e ficar totalmente sem razão.


(Na verdade, não consigo colocar um final aqui. São pensamentos pela metade; cada linha.)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ela disse para o escuro

- Então vamos falar sério.
- (Risos) Não consigo falar sério com você.
- Para de graça, senta direito.
- Eu não consigo. Olha a sua cara.
- Você é muito palhaça, mesmo.
- Não consigo não rir de você.
- Vai, para quieta. Vamos falar sério.
- Tudo bem. Sobre o quê?
- Sobre tudo.
- Não tem 'tudo' nenhum aqui.
- Isso aqui é tudo.
- Tudo o quê?
- Tudo que importa.
- Você é um idiota.
- Para, eu sei que você vai sentir a minha falta.
- Eu?! Eu não.
- Vai sim. Vai chorar e me implorar pra voltar.
- Eu não vou chorar.
- Você vai sim. Ei, ei, não adianta vir me beijar.
- Ah, por favor.
- Estou tentando conversar com você.
- Vamos conversar muito quando você tiver ido embora. Aliás, só vai ter conversa.
- Eu não vou te ver mais por muito tempo, queria conversar com você assim, ao vivo, agora.
- Eu não.
- Pelo amor de Deus, garota.
- Vai, chega disso. Você não vai morrer, só vai embora.
- E se eu voltar pra cá com uma namorada?
- Experimente.
- O quê?
- Arranjar uma namorada.
Risadas.
- Agora sim, me dá um beijo.
- Você não queria conversar? Vamos conversar.
- Não, você tem razão.
- Eu sempre tenho.

Quando a deixa na porta de casa, há um último beijo.
Não é diferente de todos os outros, mas não é
feito apenas de desejo.
Tem alguma coisa muito forte que não deixa que ela vá
porque sabe que talvez
seja a última vez.
Talvez ele não vá voltar.

- Sabe, talvez eu sinta sua falta.
- Eu sei que vai sentir.
Com um sorriso, ele se vai.

Parada na frente de casa, seu sorriso murcha e ela repete para o escuro: "Vou sentir sua falta".

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eu só te queria de volta pra curar

Senti saudade.
Ao passear por essas ruas
que eu tão bem conheço,
nessa mesma cidade.
O que eu estou sentindo
nesse exato instante
também chama necessidade.
Do barulho da tua voz,
o som da respiração,
irresponsabilidade.
Tua culpa tudo isso que,
agora, não me deixa em paz.
Você me machucou fundo
e curou tudo que estava podre;
não sei se lhe agradeço
ou lhe peço que me deixe.
Afastar-me de ti, não, nunca,
não pediria jamais.
Mas agora parece, não sei,
talvez, apenas... é tarde demais?
Tão longe, os quilômetros extensos,
e eu aqui, querendo.
Eu aqui, chorando por dentro.
Quem me conhece sabe,
quem não conhece, se engana.
Faço cara de séria, não entrego de cara
que estou morrendo por dentro.
Sinto vergonha.
Mas mesmo com tudo isso,
sem poder gritar ao mundo
como me sinto...
Eu só queria que você voltasse,
estivesse aqui para me curar
quando eu precisasse.
Mas não pode voltar. Ainda não.
Não é hora, ainda tem tempo
até eu te ter de volta.