domingo, 26 de fevereiro de 2012

Agora está apenas no passado

Há tempos que as coisas mudaram, mas quando você fecha os olhos para aquilo que não está como você quer, ninguém pode te fazer enxergar nada. Você tem que querer ver.
É, as coisas não estavam bem. Apenas um deles sofria, apenas um deles sentia, apenas um engolia o choro e sorria pra depois poder explodir. Não se tem certeza se era realmente apenas um, ou se ambos estavam sofrendo, e um fingia melhor que o outro. Só tenho certeza sobre uma coisa: havia mais dor que prazer; havia mais tensão que compreensão; havia mais raiva que amor.

Não é de hoje; é de dias atrás.
Como você não me ouve,
nem percebeu que o meus sorriso
ficou para trás.
Parece que não me enxerga,
nem à mim, e nem ao mal
que você me faz.

Assim como o tempo, que leva para longe o que já nos trouxe dor, a memória vai apagando aquilo que não nos agrada mais... E devagarzinho, como um sopro de vento no verão, rápido e curto, vamos demolindo a dor, vamos limpando a sujeira que o passado não conseguiu levar. E as coisas vão passando, e melhorando, e se apagando, e melhorando, e sumindo, e rezamos para que não voltem mais. E só podemos rezar para que não saiam do passado, e que lá permaneçam.

Só podemos desejar que a dor fique em seu devido lugar, e que não nos atormente mais.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

As coisas mudam para alguns

Eu estou deitada, agora. E como na maioria das noites, me lembro daquelas que passamos juntos. Você ainda se lembra? Dos sonhos que contávamos, dos beijos, dos abraços, dos momentos de ternura entre um fôlego e outro... Quando eu dizia que você era único, e você só duvidava. Era verdade, sabia? Você foi único. O único. Que me alcançou, que conseguiu tocar meu coração, minha alma, minha essência. Não vou me esquecer de você, mesmo sabendo que depois de muitos rostos, você se esquecerá do meu. Se esquecerá de mim. E na verdade, não é um problema; o primeiro, a primeira, é sempre importante... Mas eu fui só mais uma, que diferença fiz? Nenhuma. Não me importo, na verdade. Sei que entre tantas experiências, entre tantas garotas, entre tantos momentos, entre tantos amassos e tantas conversas, eu fui nada. Eu fui um pequeno espaço de tempo, uma pausa longa demais entre um sexo e outro. Porque eu me entreguei, mas nunca por completo. Eu sabia que você não se lembraria, ou que não seria para você nem um terço do que seria para mim. Afinal, quem faz 10 vezes faz 11, mas nem todos que fazem 1 fazem 2. O que quero dizer é que você foi muito especial pra mim. Muito mais do que eu fui pra você. E apesar de eu estar dizendo, de ser eu a única culpada, e de tudo isso ter acontecido e chegado onde chegou por atitude e passos e força minha, não me arrependo. Na verdade, penso que nem você. Ou talvez sim. Na verdade, talvez sim; só tempo desperdiçado, uma garota entre tantas. "Nem é mulher ainda" você vai pensar, ao olhar para mim e se lembrar de tudo o que aconteceu. E eu vou tentando esquecer. Tentando apagar. Tentando me acostumar com a ideia de você e sua nova namorada vindo pra cá, tentando imaginar a sua reação ao me ver de novo, tentando imaginar como as coisas vão ser daqui pra frente. Porque eu não faço ideia. Não tenho nem imaginação suficiente para isso. Você vai estar completamente diferente ou exatamente igual? Que medo. Medo de você não ver mais em mim o que viu naquela primeira noite. E então? Por isso eu quero apagá-lo já da minha cabeça; poupar a mim mesma da humilhação de tentar fazer você ver em mim o que quer que tenha visto naquela noite mais uma vez. Não quero me humilhar. Não quero esfregar meu rosto nos teus pés, implorando por atenção, carinho e amor. Não. Você vai estar com a vida pronta, andando, nova, com gente nova e caminhos novos. Eu vou tentar me manter fora do seu caminho, da sua vida. Quando você voltar, serei tão invisível que você sequer vai notar que não me viu; não que eu pense que você sentirá saudades. Isso é coisa minha, eu que sinto. Mulheres. Mulheres (ou garotinhas como eu) sentem saudades de paixonites duradouras de um verão ou dois. Nada sério. Vou esquecer, para que assim, quando você voltar, eu possa te dizer tudo isso rindo, como se fosse uma daquelas piadas compridas das quais gargalhamos ao ouvir o desfecho cômico e inesperado. "Ela acabou por superar o cara". É esse o desfecho cômico da minha piada longa.

(Não me lembrava de ter escrito isso.)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Querido amor não-correspondido,

tenho ótimas notícias. Para você, e mais ainda, para mim! Estou começando a tentar esquecê-lo, sabia? Encontrei por essas ruas mal iluminadas um sorriso que, embora nem de longe me ilumine, acenda, inflame ou encante tanto quanto o seu, me faz sorrir também. Estou mais feliz do que infeliz, agora, e isso é muito bom. Significa que o meu coração já está deixando o seu peso de lado... que estou começando a tentar. Tentar te esquecer, ou te superar. Tentar trocar o disco, virar a página, pular o capítulo. Não é uma ótima notícia? Se você ao menos fosse louco por mim como sou louca por você... Juro que nada disso aconteceria. Eu seria forte, como tenho sido. Você nem sabe, mas tenho lutado por nós, contra a distância e a falta que você me faz; uma luta árdua, mas que mostrou seus resultados; eu fiquei firme ao seu lado. Não beijei outros lábios desde que você se foi. Não quis ninguém, nem em sonho, nem em pensamento, nem por um instante. Só você.
Sabe, Amor Não-Correspondido, nós podíamos ter sido um casal e tanto. Mas existem tantas coisas difíceis, não é? Tantas pessoas e opiniões, e palpites e fofocas, e coisas fulas e tolas e inúteis que acabaram com qualquer possibilidade; ou talvez tenhamos sido apenas nós mesmos, presos à medos antigos e vergonhas imbecis, coisas que nos impediram de sermos felizes juntos. Pense nisso, por um momento, só um instante; olhe para aquela possibilidade intocada, os momentos que teríamos passado juntos. Imagine como as coisas teriam sido diferentes. Imagine como seriam diferentes agora.
Mas tudo bem, não é? Estamos bem, agora. Estou te esquecendo, ou começando, ou tentando começar. Um dia, você será apenas uma boa lembrança, uma lembrança marcante, uma cicatriz linda que ficou tatuada no meu passado. Um dia, me lembrarei de você com carinho e talvez alguma raiva, por não ter feito tudo dar certo.
Mas haverá carinho, acima do ódio.

Com amor,
seu nunca descoberto amor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Existe uma história

Eu só sei contar a nossa história.

Conto a todo momento, para quem quiser ouvir. Sobre o quanto nos odiávamos, e o modo como você sempre me deixava sem saber o que fazer. Eu nunca sabia o seu humor, e você dizia que não sabia o meu. Eram duas tempestades indo ao encontro uma da outra... E como tempestades, ambos possuíam momento de calmaria. Uma calmaria extrema e delicada, doce como açúcar, leve como algodão; podia durar cinco minutos ou duas semanas. Não sabíamos lidar um com o outro. Eu era extremamente arrogante e prepotente; você era sedutor e mandão. Eram duas forças incompletas, falhas. Precisávamos um do outro, embora jamais fossemos admitir. E agora, agora que você está longe, agora que sou apenas uma tempestade solitária e caótica, percebo a falta que o seu desespero e a sua própria arrogância me fazem. Vejo que tudo me faz pensar em você, no que você me dizia, nas nossas brincadeiras, nas conversas sérias, nos conselhos, nas confissões. Fica difícil, cada dia mais difícil, conviver com a sua ausência...


E ver que o tempo todo, eu me lembro de você.

(Desabafo).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um coelho

Quando comecei a caminhar, me peguei com o telefone na mão, pronta para começar a digitar uma mensagem perguntando onde você estava. Percebi também que havia um sorriso no meu rosto, porque ele se desfez. Não consegui pensar em mais ninguém para mandar uma mensagem, sabia? Piscava apenas o seu nome, grande e brilhante dentro da minha cabeça. Ergui os olhos para o céu, na esperança de segurar as lágrimas que, até agora, eu não tinha derramado. E quando olhei para cima, encontrei uma maravilhosa lua, redonda, branca e brilhante, pronta para atrair a minha atenção e me distrair de todo resto. Eu estava pronta para me entregar às divagações que logo viriam, quando me dei conta de algo que tirou meu sorriso desesperado do rosto. Era definitivo, então? Eu estava apaixonada? Por... por... você?! Não era possível. Eu não conseguia acreditar! Mas ali, na lua, nos meus pensamentos, nos meus dedos prontos para escrever a mensagem, na imagem do seu sorriso na minha mente, em tudo estava estampado: eu estava apaixonada. E por você.
Não podia pensar em pessoa pior.

De modo algum porque você é um cara ruim; não mesmo. Você é perfeito pra mim. Mas... está tão longe. E não é recíproco. Você definitivamente não se mostra interessado por mim, e eu aceitei isso. Foi aceitando isso que concluí que não estava apaixonada; me recusava a estar apaixonada por alguém que não dava a mínima pra mim. Mas eu estava. Muito. Uma pequena adolescente boba e inexperiente, pronta para se jogar de ponta no primeiro romance que aparece. Pelo amor de Deus, eu já havia tido o bastante de paixonites por um longo tempo. Não conseguia acreditar em tudo que estava acontecendo. Não conseguia acreditar que, meu Deus, era por você que o meu coração se agitava. Não, não, não, não e não. Tinha que haver outra explicação!
Mas não havia. E, infelizmente, eu só me dei conta disso agora. Tarde demais.
Tarde demais.


(Eu vi um coelho na lua.)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Lava, chuva

Chove, chove. Chove, chuva.
Lava de mim a saudade
e tudo que me machuca.

Chove, chove. Chuva, chove.
Leva com você lágrimas
que no meu rosto, escorrem.




domingo, 5 de fevereiro de 2012

A história no verso dela

Ela, que sempre fora assim, desse jeito largado,
com as roupas frouxas demais no corpo delgado,
o tempo todo sentindo na boca um gosto amargo
e sempre tentando não fazer nada errado.
Ela, que nunca sabia se devia rir ou não,
que ainda tinha brigas de sangue com o irmão,
que tinha problemas na perna, do tornozelo à coxa
e vivia quebrada, machucada e roxa.

Essa garota estava com o coração quebrado. Fora quebrado por um rapaz que não lhe deu o devido valor, como a maioria dos contos de fadas que temos hoje. Numa garrafa de cerveja ou num chiclete sempre havia a chance de um beijo roubado, ela pensava. Ele pensava. Eles sentiam. Eram atraídos, até que ele a deixou por aí, o gosto salgado ainda mais forte na boca depois da abstinência do beijo dele.
Não houve razão, motivo, não houve pedido de desculpas nem de permissão. Apenas houve. Sem antes, sem depois. Só lá, naquele momento, existia tempo. Todo tempo do mundo.

Ela tinha coragem, ela tinha peito pra ir,
ela não tinha nenhum medo, nenhum medo de seguir.
Ela sempre foi uma menina que pensava como mulher
e nunca deixou de fazer tudo como quer.
Mas quando o coração bate forte demais por alguém
você perde a noção, passa a ser ninguém...
Quem tinha muita coragem e deteminação
passa a perder a força e ficar totalmente sem razão.


(Na verdade, não consigo colocar um final aqui. São pensamentos pela metade; cada linha.)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ela disse para o escuro

- Então vamos falar sério.
- (Risos) Não consigo falar sério com você.
- Para de graça, senta direito.
- Eu não consigo. Olha a sua cara.
- Você é muito palhaça, mesmo.
- Não consigo não rir de você.
- Vai, para quieta. Vamos falar sério.
- Tudo bem. Sobre o quê?
- Sobre tudo.
- Não tem 'tudo' nenhum aqui.
- Isso aqui é tudo.
- Tudo o quê?
- Tudo que importa.
- Você é um idiota.
- Para, eu sei que você vai sentir a minha falta.
- Eu?! Eu não.
- Vai sim. Vai chorar e me implorar pra voltar.
- Eu não vou chorar.
- Você vai sim. Ei, ei, não adianta vir me beijar.
- Ah, por favor.
- Estou tentando conversar com você.
- Vamos conversar muito quando você tiver ido embora. Aliás, só vai ter conversa.
- Eu não vou te ver mais por muito tempo, queria conversar com você assim, ao vivo, agora.
- Eu não.
- Pelo amor de Deus, garota.
- Vai, chega disso. Você não vai morrer, só vai embora.
- E se eu voltar pra cá com uma namorada?
- Experimente.
- O quê?
- Arranjar uma namorada.
Risadas.
- Agora sim, me dá um beijo.
- Você não queria conversar? Vamos conversar.
- Não, você tem razão.
- Eu sempre tenho.

Quando a deixa na porta de casa, há um último beijo.
Não é diferente de todos os outros, mas não é
feito apenas de desejo.
Tem alguma coisa muito forte que não deixa que ela vá
porque sabe que talvez
seja a última vez.
Talvez ele não vá voltar.

- Sabe, talvez eu sinta sua falta.
- Eu sei que vai sentir.
Com um sorriso, ele se vai.

Parada na frente de casa, seu sorriso murcha e ela repete para o escuro: "Vou sentir sua falta".

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eu só te queria de volta pra curar

Senti saudade.
Ao passear por essas ruas
que eu tão bem conheço,
nessa mesma cidade.
O que eu estou sentindo
nesse exato instante
também chama necessidade.
Do barulho da tua voz,
o som da respiração,
irresponsabilidade.
Tua culpa tudo isso que,
agora, não me deixa em paz.
Você me machucou fundo
e curou tudo que estava podre;
não sei se lhe agradeço
ou lhe peço que me deixe.
Afastar-me de ti, não, nunca,
não pediria jamais.
Mas agora parece, não sei,
talvez, apenas... é tarde demais?
Tão longe, os quilômetros extensos,
e eu aqui, querendo.
Eu aqui, chorando por dentro.
Quem me conhece sabe,
quem não conhece, se engana.
Faço cara de séria, não entrego de cara
que estou morrendo por dentro.
Sinto vergonha.
Mas mesmo com tudo isso,
sem poder gritar ao mundo
como me sinto...
Eu só queria que você voltasse,
estivesse aqui para me curar
quando eu precisasse.
Mas não pode voltar. Ainda não.
Não é hora, ainda tem tempo
até eu te ter de volta.



Ela sente sua falta

Ingênua, eu. Pensei que as coisas mudariam, que só a sua ausência seria suficiente para afogar em desilusão essa coceira que eu carrego no peito.

Alguns diriam que é paixão.
Eu aposto em carência.

Quando parei para pensar no assunto por um instante, percebi que o meu já pequeno mundo, meu mínimo leque de escolhas, estava fechado, focado em você, apenas você. Nunca houve outra opção, nunca ouve outro alguém enquanto você tomava conta de mim. Eu dizia que você era suficiente, e só agora percebo o quanto estava errada; na conta, eu não coloquei a sua ausência prolongada.

Insisto em dizer que sem você
as coisas estão muito difíceis.

Embora tenham ocorrido noites em que você nem passou pela minha cabeça, noites em que não eram os seus braços à minha volta, era pra você que eu corria quando tudo ficava difícil. Bastava um beijo e meia dúzia de palavras, e tudo parecia mais fácil. Bastava o seu sorriso e o seu toque, muitas vezes bastava a sua voz. Você. Você bastava, era mais que suficiente.

E agora que você está longe
só posso sentir saudade.

E espero o dia em que você vai voltar, sorrir, me abraçar, e então murmurar no meu ouvido que sentiu minha falta. Mas só posso esperar, sonhar, imaginar, desejar. E eu prometo que vou esperar.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Teu soneto

Eu estou aqui,
e aqui, eu me rendo.
Ao teu olhar penetrante,
ao teu toque ardente,
ao teu sorriso de menino
e teus trejeitos de homem.

Mas quando aqui não estiver
quero que você saiba
que a tua memória
não me escapa.

Vou me lembrar sempre
de como você me conhece
e de como apenas você
tem esse toque que
me enlouquece.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sensação de batalha perdida

Eu estou tão fraca.
Nunca me senti assim. É tão estranho.
Como se me tirassem um pouco de oxigênio; meu corpo diz que nada está bem, que está tudo errado. Minha cabeça ameaça explodir e meus olhos, secos, não demonstram qualquer reação. Me sinto literalmente oca. Não há nada dentro de mim.
Socorro.
Venha me buscar.
Me leve pra deitar na sua cama, pra ouvir sua voz e sentir seu cheiro. Vamos, venha, não se atrase, não me deixe na espera, não espere. Me tome. Tome conta. Cuide de mim, cuide de nós, não deixe que morra. Não deixe que se vá... Não. Por favor, estou implorando por um pouco mais. De tempo, de vida, de você, de nós, de mim mesma, desse pedaço que eu perdi. Eu estou em você, você está em mim. Um pedacinho de você aqui, guardado com cuidado pra que não se perca. Não esquecerei. Não posso, nem se quiser. E eu quero, pra me curar de você, essa praga que me infectou e me destruiu. Não tenho nada do que reclamar, muito menos agradecer. Que bem você me fez? Nenhum. Nenhum bem. Me trouxe dores de cabeça, apertos, marcas, borboletas, confusão.
E agora só se vai...
Pra onde eu não posso correr.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Controle

Jamais acontecerá.

"Descreva-se", ele disse. "Conte-me quem você é". Pus-me a relatar com desprezível orgulho minhas vitórias, conquistas, troféus, prêmios. Ele, humilde, riu da minha ignorância e pediu novamente: "Descreva-se". Pus-me então, pensando compreender melhor a pergunta, a descrever meu humor bipolar e atípico. Meu humor não é, definitivamente, meu ponto forte, portanto, depois de um minuto ou dois, calei-me. "Fale mais", ele disse. "Sobre o seu humor. Fale mais". Ele percebera. Percebera que eu não gostava de falar sobre aquilo, que era minha fraqueza, e não minha força. Acomodei-me melhor na poltrona de costa comprida e tentei não pensar em quantas vezes já haviam me perguntado sobre meu mutável e problemático humor. Continuei sorrindo, mas conforme ia contando sobre como qualquer mudança na rotina ou no ambiente é capaz de me fazer chorar, meu sorriso foi, contra minha vontade, diminuindo. Quarenta e sete minutos depois, eu estava de joelhos no chão, debulhava-me em lágrimas e sequer podia enxergar meu possível novo chefe atrás de sua mesa. Ele se levantou, sentou-se ao meu lado no chão e perguntou-me: "Querida, diga-me: como eu posso contratar alguém com um emocional fraco como o seu?" Eu pisquei sete vezes para expulsar as lágrimas e fixei meu olhar no dele. "Eu sou boa no que faço", respondi. "Sou a melhor". "Acredito", ele murmurou, "mas", continuou, me deixando assustada, "você é capaz de superar traumas anteriores? Diga-me, e se um dos novos funcionários lhe lembrar um namorado? E se você tiver uma crise de pânico? E se não puder cumprir seu horários? E se ficar doente outras vezes? E se for colocada para disputar uma vaga? E se... E se..." Eram muitas lacunas. Muitos talvez. Muito "se". Com calma, deixando claro cada movimento meu, levantei-me. Arrumei o terno caro que alugara para a ocasião e sentei-me novamente na poltrona. "Sou capaz de controlar meu humor e meu lado sentimental como sou capaz de controlar qualquer outra característica física minha. Não preciso deixar essa fraqueza aparecer". "Prove". Parei de chorar, cruzei as pernas e sorri. "Estou me sentindo péssima", contei. "Um verdadeiro lixo. Não sei mais se vou conseguir o emprego, mas apenas pelo meu sorriso você pode dizer que estou confiante, não pode?" Ele acenou a cabeça. Encorajando-me. "Eu estou me sentindo tão mal como quando tenho ataques de pânico. Mas ninguém tem de saber disso. É o meu auto-controle que me difere do resto. Posso me controlar. E posso controlar todos eles. Por isso mereço estar no topo. Eu tenho controle".
Até hoje repito insistentemente para mim mesma todos os dias: eu tenho controle.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Falsidade pelo preço de um

Diziam que era muito falsa.
Ela, na verdade,
só tentava agradar demais.
Pecava pelo excesso,
errava tentando acertar.
Fazia o que podia
para que gostassem dela:
do sorriso forçado,
das amizades fracas,
da vida sem graça.
Bebia de tudo, falava de tudo,
e no fim, não entendia
nem sentia nada.
Era em agradar
que estava concentrada.
Era boa, afinal de contas.
Não fazia mal à uma mosca.
Mas fazia tudo pelas outras pessoas.
Por si mesma, não escolhia
a comida que comia,
a bebida que bebia,
a casa em que morava,
as festas que frequentava
nem as roupas que vestia.
Pobre coraçãozinho fraco,
mente ingênua,
vida seca e sem emoção.
Quanto mais tentava,
mais falhava
em atrair atenção.
Não a culpo por tentar,
afinal, às vezes,
para que nos aceitem,
para que nos olhem com admiração
ou com qualquer outro tipo de emoção,
fazemos de tudo.
Corremos atrás da aceitação
porque neste mundo de hoje,
ou você é parte do bando
ou é o alvo.
Fofocas, mentiras,
está tudo tão, tão sujo...
E que opção temos?
Tentar ficar próxima
de quem estiver no comando.
É o que podemos fazer
para salvar nossos pescoços.
Para salvar nossas reputações,
usar todos os nossos esforços.
Não importa o que digam,
a fama que criamos
é aquela que levaremos
não importa quão longo
seja o passar dos anos.
Só procuramos aceitação...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre o simples

Não há de ter mudado tanto,
uma vez que vejo nestes mesmos ladrilhos
a mesma sutil beleza que me encanta.
Uma vez enfeitiçada pelo belo
e pelo simples, que ainda vence,
sinto que esse tão usado excesso,
onde tudo tem demais de tudo
e onde o simples não ganha atenção;
Esse excesso vai matar os olhos nus,
os olhos virgens.
As orelhas cruas, as orelhas novas,
as orelhas que só conhecem sons
criados pelo natureza.
Não estão prontos para o Homem.
Hão de usar imaginação para compreender
o que não é assim tão difícil de entender:
a diferença entre aquilo que criamos
e aquilo que ganhamos do mundo
para que apreciemos e aprendamos.
A beleza do simples, que mais me encanta,
parece espantar quem devia ser cativado.
Parece assustar quem devia aproximar-se
para aprender que nada precisa ter muito
para que seja apreciado.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

I

Me orgulho de não ter coração, mas não me orgulho de não ter sentimentos. Melhor ainda: me orgulho de ter alguns sentimentos, mas não mostrá-los, enquanto me envergonho deste coração tão duro e morto que pesa meu peito. Amor; há tempos que não nos vemos, nem nos falamos. Nunca ocorreu o fato, de fato. Quando o senti, era engano meu, não era ele. Ele nunca me viu, tão pouco eu o vi. Eu conheci a paixão, o desejo, a vontade, a humanidade debaixo de cada arrepio vindo de toques às vezes falhos. Mas amor, o tal do amor, o verdadeiro amor, esse não conheci. Nem sei se será prazer ou desprazer quando formos formalmente (finalmente) apresentados. Ouvi histórias. Tristes, bobas histórias. Histórias que me ajudaram a entender o quão inocente, inconsciente e fula fui eu, pensando conhecer o amor. O amor. Ah, o amor. Rezam lendas que este tal de amor anda de braços dados e troca carinhos e confidências com alguém que, ah, eu conheço. Conheço de longa data, conheço melhor do que é saudável, conheço com vergonha. Rezam as lendas que o amor anda, inseparável, com a dor. Esta eu conheço, sim, conheço. Foi no fim de 2009 que experimentei pela primeira vez seu sabor amargo, sua sensação quente e ardida, suas faíscas que causam uma cegueira no coração. Conheci a dor quando vi a morte de muito perto. Mas relatando tudo de maneira rápida, não, não conheço o amor. Espero que um dia sejamos apresentados. Mas, sabe... Não tenho pressa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nos teus olhos

Tanto procurei pelas marcas,
pelos detalhes tão pequenos
que passam pelos teus olhos desatentos.
Os teus olhos que já não têm atenção,
olhos perdidamente escuros,
nos quais mergulho.
E me afogo.
Na agonia da perdição, me jogo.
No fogo do atrevimento, aposto.
Se virá a vitória, nem sei,
tão pouco me importo.
Apenas no brilho agora opaco
nos quais quis manter o foco,
mas por travessura, me equivoco,
e deixo para trás.
Já não vejo mais.
Mesmo na escuridão à qual você me submete
eu ainda procuro pela luz.
Um brilho que na verdade apenas reluz
tudo aquilo que brilha
na sua alma.
E eu procuro por tanto tempo,
com tanta calma,
porque quero encontrar aquilo
que você perdeu de si mesmo.
Aquilo que tanto quero de volta,
aquilo que perdeu-se no tempo.
Em tantos dias, tantos anos
passados à velocidades insanas
que agora reclamo e quero de volta.
Não me abandone agora.
Este brilho que procuro nos olhos escuros
que um dia afogaram minhas mágoas,
na verdade quero dar-te de volta
para que ainda possa me afogar
nestas escuras e perdidas águas.
Águas dos teus olhos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dear Future Me,

Please, remember that I'm just a 15 old girl with some easy-solve troubles, so I have no idea of what kind of trouble you're in now. Also remember that I'm not fine right now; that I'm feeling absolutely sad really often and that I think I have some kind of depression.
But now, talking about something useful, how are you doing? As well as we thought you would? Do we have a job? No, better asking: do we have a good job? I never wanted nothing below 'great', you know it. Although, if we're getting any money...
But forget it, lets talk about something more, how can I say?, interesting. Do we have a boyfriend? If we don't, are we single because we want or...? Oh, no. I can't imagine we have no boyfriend because NO ONE WANTS us. No, I know we have a boyfriend, or some kind of affair. We do, right? (If we don't, please, get one. I'll be in peace when it happen.)
If you have a boyfriend, a job and time to study more, congrats, you're going as well as we wanted since we're 13.
If you have a boyfriend, a job, time to study more and an active social life, you're going much, much better than I ever thought you could go.

To finish this weird little letter, remember to not leave your friends from my time, ok? Especially the girls. These girls are much more important for you, Future Me, than you may think they are. They are important for me now, and will still being, there, in future. I'm sure about it.

Wishing the best,
Present Me.

Uma pequena carta para treinar um inglês sendo estudado e para brincar de faz-de-conta.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sete

Sinto lágrimas ameaçando meus olhos. Eu estava apenas vendo fotos, quando de repente me deparo com uma em especial que fez meu coração congelar. São sete garotas. Certo, são sete garotas lindas. São as minhas garotas. Primeiro, está a mais paia de todas. Depois, a mais sem noção. Na sequência, a nossa pretinha, seguida pela mais hilária. Depois, vem uma outra que é horrorosa. A próxima é uma que eu chamo de prima, e a última é a gêmea da sem noção, que ao contrário, é a mais centrada. Se eu tivesse que descrever cada uma delas em apenas uma palavra, respectivamente, eu diria: honra, sorriso, vontade, coragem, doçura, perdão, serenidade. Por quê? Porque é assim que eu as vejo. Cada uma delas, uma qualidade única, linda, pura e certamente brilhante.
As lágrimas ameaçam de novo. Eu não me sinto feliz, exatamente. Queria ter certeza de que seria para sempre daquele jeito, todas juntas, mas não tenho. Na verdade, sei exatamente como as coisas serão, e isso não me agrada nem um pouco. Tudo vai mudar. Nada será como antes.
Então me lembro de que as coisas já começaram a mudar. Já estão diferentes. Mas eu não me importo, honestamente. Só queria que elas estivessem daquele jeito, como na foto, para sempre. Juntas, lindas, preciosidades que deviam ficar paradas no tempo, sem mudar, sem envelhecer. Apenas permanecendo ali, sorrindo, felizes, completas.
Uma pena que tudo tenha que mudar. Uma pena.