quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Deixa eu contar

Foi absurda a rapidez
com que sensatamente
me livrei de você.
Apaguei as memórias,
esqueci as histórias;
o seu gosto eu nem lembro mais.
Achei que sentiria por tempos
a falta que você faz.
Mas não faz mais diferença
e eu estou em paz.
Uso sua roupa e vejo suas fotos,
e é engraçado como,
ao meu próprio modo,
fui superando, e deixando,
e esquecendo de como foi.
Hoje eu nem imagino o que mudou.
Talvez se eu me esforçar
consiga lembrar
como era o ritmo da nossa dança,
o volume da nossa alegria.
Hoje, só vejo uma mistura
quase melancólica, crua
de desapego induzido.
E quando perguntei se
você queria ficar comigo,
a resposta foi indiferente.
Bem, agora é a minha vez
de te abandonar no passado
e seguir em frente.

domingo, 21 de julho de 2013

vício

E eu estava lá, numa pequena multidão, e adivinha quem estava faltando? Pois é. Senti falta do toque da sua mão na minha, dos seus beijos repentinos, da sua necessidade de não me dividir. Senti falta do seu cheiro, de brigar com você por bobagem, de nem olhar pros lados pra não te deixar enciumado. Senti falta da sua voz, e do jeito como você nunca fala o meu nome; já reparou? Senti falta de como você pedia pra ir embora, mas ficava por... por mim. Senti falta até de saber que tinha você me segurando, mesmo longe. Senti falta da sensação de dever satisfações, de ter alguém me esperando lá longe, de não poder beijar mais ninguém. Mas sabe qual foi a melhor parte? Eu não quis beijar mais ninguém. Eu não queria, eu não quero. E se eu tento, não consigo. Parece errado, os beijos não estão certos, as mãos estão nos lugares errados; eu te ensinei tanto sobre mim que agora não quero ensinar mais ninguém. Eles não sabem fazer como você faz. E isso me deprime.
E enquanto eu tinha você, tinha também uma sensação de segurança que eu nunca tinha experimentado, sabe? Aquele gostinho de ser de alguém... é bom. Eu gostei bastante, e sabe do que mais eu gostei? De ter você pra mim. Gostei de não dividir e de não ser dividida. É assim que funciona?  Fico imaginando se pra você era tão ruim assim. Foi por isso que você se afastou? Eu fiquei triste, fiquei sim, mas não quero que você saiba. Quero que você pense que está tudo bem; ou talvez eu não queira, não. Talvez eu queira que você saiba que eu tô um caco, triste, quase deprimida. Morta de saudade, e de arrependimento. Se eu pudesse voltar uns dias no tempo e só te dizer que estava com saudade, ao invés de começar toda essa merda de terminar algo que acabou de começar...

E só pra você saber, ainda mordo os lábios. Vivem cortados, cobertos de batom pra disfarçar, mas lembra que você sempre via? E me xingava. E depois me beijava. E eu reclamava, e você me xingava outra vez. É um vício que me machuca. Como você.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Range

Esqueci de bater a porta e agora, por um vento qualquer, ela está rangindo. Nhééééc. Esse som me irrita, arrepia e amedronta, mas sabe do que eu lembrei agora? De quando você fechou a porta com cuidado, e ela fez o mesmo barulho. Nhééééc. Então você veio e pulou na minha cama, me abraçou e me apertou, me beijou e me fez rir quando passou a barba no meu pescoço. Aí a porta rangeu de novo, nós olhamos, mas era só o vento testando a nossa adrenalina, nhééééc. Você continuou com os beijos e a barba e eu tremia; tremia de frio e das outras coisas que você me fazia sentir. O vento voltou pela porta entreaberta, agora, enquanto me lembro dessa noite em particular. Nhééééc. Tenho que me levantar e ir até lá, fechá-la de uma vez, como fiz naquela noite... só que agora você não está aqui pra me segurar pela cintura e me puxar de volta, então vou até a porta sem brigar, sem lutar, e a fecho. O silêncio irrompe e eu me vejo sozinha, mergulhada em lembranças sofríveis. Por diversão, o vento abre a porta outra vez, agora que já me deitei. Nhééééc. Você sabe que não consigo dormir de porta aberta, não sabe? Sabe, e me chamava de fresca não só por isso, mas por todas as outras coisas bobas das quais tenho medo ou implicância. Fecha pra mim, murmuro, e me lembro de que você não está aqui, hoje. E nem estará tão cedo. Estou sozinha, outra vez, ouvindo o vento assobiar pela janela e fazendo ranger a porta: nhééééc. O barulho faz meus pelos do braço eriçarem e escapa um riso abafado. Que merda. Se eu me concentrar, dá pra sentir suas mordidas. E se eu fechar os olhos, ouço até a sua voz. Para de ser fresca, puta que pariu. Você está aqui? Está, de alguma forma. Está em mim.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

não é uma despedida de verdade

Talvez essa seja minha melhor oportunidade para te dizer algumas coisas que, se eu me conheço bem, eu jamais diria cara a cara. Coisas simples, pequenas, bobas, inúteis e até irrelevantes, mas que eu sinto uma necessidade imensa de expressar. 
Adoro a cor dos seus olhos e o modo como você os deixa semi-cerrados antes do beijo. Adoro a cor do seu moletom favorito, aquele vinho que eu quero pra mim. Adoro seu cheiro de perfume e menta. Adoro quando você não fuma perto de mim, e adoro quando você para de beber antes de ficar bêbado porque tem que me levar embora. Adoro os poucos centímetros que te deixam mais alto que eu, e adoro sua cara de descaso quando fico mais alta que você. Adoro o jeito como suas mãos estão sempre quentes (até você tentar me fazer cócegas por baixo da camiseta e eu quase choro de raiva quando na verdade sua mão está gelada como um defunto). Adoro o gosto do seu beijo. Adoro quando você chega na minha casa com uma bala - e o mundo fica cheirando canela. Adoro o jeito como a gente nunca tem o que conversar até você ter que ir embora. Adoro quando estou brava e você vem, me abraça e me beija, e eu esqueço todas as frescuras do mundo. Adoro quando você oferece a blusa porque estou tremendo de frio. Adoro o seu perfume na minha roupa. Adoro quando você me conta que sua família quer me conhecer. Adoro quando te digo "fica", e você fica. Adoro quando começamos a discutir o começo de tudo e você tenta me convencer de que foi minha culpa. Adoro até suas birras.
Eu nunca fui boa em dizer para alguém, pessoalmente, o quanto gostava dela. Nunca. E acho que é algo que eu nunca saberei fazer direito. Portanto, talvez esse seja o melhor jeito de te dizer as coisas que eu mais gosto em você. Não espero nada mais que um sorriso enquanto você lê isso e, como eu prevejo agora, tem uma lembrança para cada cena. 
Então é isso. Se você realmente for embora, eu vou sentir sua falta,  e adoraria se você sentisse a minha. Quero que a gente continue conversando esse mesmo monte de bobagem. Quero saber da sua nova vida. Embora eu não faça parte dela. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dez coisas que eu não consigo te dizer

Dez coisas que eu tenho que te dizer:
A primeira é que não quero te forçar
a fazer nada que faça você se arrepender.
A segunda é que eu estou preparada
pra te ter e pra te não ter,
independentemente do que acontecer.
Continuar te vendo sempre é a terceira
coisa que tenho que te falar.
A quarta é pedir pra você ir mais devagar.
A quinta coisa é outro pedido: tente não enjoar
de me ver todo dia, de falar comigo
de tarde e madrugada adentro.
A sexta é que você não é meu inimigo
e pode confiar em mim sempre.
A sétima é que não me importo contigo
só quando você está contente.
A oitava é um aviso: querido,
não me afaste quando precisar de mim.
A nona é que eu te quero, sim,
quero muito, e quero agora.
Mas a décima é um conforto:
se não for agora, não era a hora.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

#4

Fraca. De mente. De corpo. De vontade. Fraca de querer.
Preciso de ajuda. Um empurrão. Uma palavra amiga.
Estou cansada de toda a grosseria que vocês usam como um tiro de ânimo. E reclamam que a grossa sou eu. Sou um espelho, sou como a lua, sou um reflexo inanimado do que recebo. Cansada.
Fui atrás de um amor, ele me recusou.
E chegou para mim um amor que eu não quero.
Não aguento mais pedir desculpas.
Não aguento mais fingir estar bem. "Está tudo bem está tudo bem está tudo bem está tudo bem". Não me venha com louça pra lavar, eu já lavo roupa suja toda hora, não suporto mais tirar os restos da mesa, os restos do que eu não consigo jogar fora. É assim tão anormal estar triste?!
A tristeza por si só me consome, e a metade da energia que me resta eu gasto sendo uma palhaça atônita e hipócrita. Chega dessa merda.
Não fale comigo se eu estiver de cabeça baixa, e não atrapalhe o meu sono.
Não me obrigue a dizer que eu te avisei sobre o meu humor.
E principalmente, em qualquer oportunidade, me abrace. Calor humano e demonstrações de afeto se tornaram fundamentais pra mim. Qualquer sorriso é um pouco de oxigênio, um abraço é sangue correndo nas veias.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu preciso

Preciso de um amigo.
Alguém com quem conversar por horas sem cansar.
Alguém pra me dizer que estou feia.
Alguém pra rir comigo das piadas velhas.
Ou me dizer que a piada é velha e ruim.
Alguém pra pegar na minha mão sem ter medo.
Alguém pra dizer que não me aguenta mais.
E sem me magoar.
Alguém pra deitar comigo a tarde e dormir, assim, dormindo.
Alguém que me mande mensagem quando estiver sem sono.
E que tente me acordar pra não ficar sozinho.
Alguém com quem eu fale sobre sexo sem ter vergonha.
E que me conte detalhes que eu nunca imaginei.
Alguém que eu saiba que não quer mais nada além do que eu posso oferecer.
Quero um amigo, não uma amiga.
Porque amigas eu tenho, e levam anos pra confiar.
Agora homens, não.
É alguém mais rápido, prático, direto.
Alguém honesto, mas que não quer te irritar.
Alguém que não quer te jogar contra ninguém.
É alguém que eu preciso.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

8/5/2013

Não sei porque continuo fazendo as mesmas idiotices dia após dia. As mesmas coisas pequenas. Tirar o adaptador do secador de cabelo é motivo pra causar uma terceira Grande Guerra nessa casa, que já cai aos pedaços, num ritmo assustadoramente harmônico ao meu desespero.
Já não sinto mais ódio, ou medo, ou cansaço. Apenas uma forte crise de pânico e falta de ar.
Preciso começar a respirar melhor depois de ouvir a pessoa que eu mais amo no mundo gritar comigo, pela milionésima vez, pelo mesmo motivo. Me pergunto o que há de errado comigo. Porque não sou capaz de aprender. Coloque o adaptador de volta, ou ela te surra com o cabo. Coloque o adaptador de volta, ou ela se divorcia outra vez.
'Respire', é a única ordem que meu cérebro é capaz de dar. 'Respire'.
As lágrimas virão assim que eu deitar minha cabeça ruiva no travesseiro. É quase diário.
Assustadoramente previsível, me ponho a digitar até a ponta dos dedos doerem.
Preciso de ajuda, um pouco de pressão no meu abdômen, até conseguir respirar de novo. Meu estômago dói, minhas entranhas se fizeram num nó, meu cabelo continua bagunçado e meus olhos ardem, secos, com as lentes de contato.
Desliguei os fones de ouvido, arrumei o uniforme e repensei.  De novo. Vivo repensando e fazendo as mesmas coisas. Como meu choro, é um hábito quase diário.
Religiosamente peço à Deus que dê à ela paciência e à mim, responsabilidade. 
Os gritos dela ainda ecoam na minha cabeça vazia.
Não quero chorar. 'Você já tem 17 anos'. Continuo sendo criança. Não quero crescer, ou envelhecer, prefiro pular essa parte e chegar à velhice, talvez ao meu último dia de vida, e quando o último suspiro se formar em meus pulmões caquéticos, ter certeza de que esse oito de maio foi o dia em que deixei o adaptador no lugar errado pela última vez.
Erros e mais erros que me fazem crer na dimensão da minha estupidez. É vergonhoso e incurável.
Ela ainda vai ter que gastar muita saliva comigo. Muito ar, muitos gritos. Eu não quero que seja assim. UTI para falta de atenção, é isso que estou procurando. Alguém me ajude.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cicatriz

Prefiro descascar minhas unhas vermelhas,
sair sábado à noite sem maquiagem,
esquecer de fazer as sobrancelhas,
cantar em frente ao público sem coragem,
subir na casa e trocar todas as telhas,
esquecer de fechar o portão da garagem;

dançar sozinha no meio de todo mundo,
esperar no frio por uma carona que não vem,
ser confundida com um mendigo vagabundo,
perder a minha única passagem de trem,
ver um amigo doente e moribundo,
ou ficar moribunda também;

tem milhares de tragédias, sejam ou não relevantes,
que prefiro ver acontecer na minha vida;
tristezas que prefiro que aconteçam antes
de deixar cicatrizar minha ferida.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Na beleza do novo

A beleza de se apaixonar por um desconhecido é a descoberta.

Já me apaixonei incontáveis vezes, e imagine só, nunca amei ninguém. A paixão é muito mais bonita e invariavelmente mais indolor que qualquer forma de amor, porque o amor exige demais, e a paixão exige apenas um pouco de tempo. Pouco tempo, é sim. Aquele tempo que você passa sem pensar em nada, é quando você pensa na sua nova paixonite. É bonito, prático, rápido, e geralmente indolor. Indolor. Acredite, essa é a melhor parte.

Não é a primeira vez que sinto falta de uma paixão. As antigas já não suprem minhas necessidades e não há um conhecido que se faça notar. Não sei se é muito piegas dizer isso, mas vou dizer de qualquer forma: "estou cansada dos homens desta cidade; quero novos amores." Piegas. Brega. Previsível, clichê; escrever isso é um absurdo literário. Mas não deixa, em momento algum, de ser uma verdade irrefutável.

Então, peço uma última (ou talvez não) vez que algo aconteça e eu finalmente te encontre. Vagando por essas ruelas maltrapilhas, vestidas com trapos de concreto, relva saltando por suas veias. Me encontra, ou deixa eu te encontrar. Não é um pedido grande o suficiente para ser ignorado, ou é? Assim, difícil, impossível, por acaso? Eu não acho que seja.
Aliás, é bastante simples:
me dá uma direção que eu sigo.
Me dá um nome que eu acho.
Me dá um cheiro que eu lembro.
Me dá um sorriso que eu não solto.

Mas quem tornaria simples uma busca necessária como essa, quando a beleza da descoberta fica ainda mais explícita quando recoberta com lamentações?
"Levei tanto tempo pra te encontrar".
É mentira quando já se sabe onde está, mas a mentira não faz deixar de ser lindas as declarações, por mais falsas, fajutas, por mais desmoronadas, soltas, aleatórias. Não deixam de ser declarações de amor. De mim para você.

sábado, 20 de abril de 2013

Parênteses, apenas

Dentro do vazio que vive dentro de mim, existe alguém. Eu guardei lá no fundo, porque certamente me machucou muito, e eu não gosto mais de sofrer. Acredite, eu gostava. Aquele sofrimento de amor, saudade; sentir um aperto no coração, um arder na garganta, as mãos gelando, as pernas tremendo e o futuro fosco ilegível. Eu amava a sensação de estar apaixonada. Hoje, a abomino.
Sentimento imbecil é o tal amor. De certo, analisando agora, que nunca o senti. Nunca tive um Romeu, ninguém cuja vida equivalesse a minha. Nunca fui Julieta. Ou Isolda. Ou a Helena de um grego e um troiano. A sensação de sofrer por eles já senti, mas não sei como é quando sofrem por mim.

Tudo isso é apenas uma parte em parênteses, é verdade.

Agora, nesse instante, olhando pela janela, tenho certeza de que nunca vivi nada assim, bonito. Sempre vivi momentos, mas nunca vivi histórias. Falando de amor, é claro. E talvez eu nem queira viver. Nas histórias que li, havia sempre uma mocinha, um mocinho, um vilão e espectadores, ali, estagnados, incapazes de colaborar com a menor informação. Algo que o mocinho disse e que a mocinha deveria ouvir, sabe? Aquelas bobagens que a gente vê num filme romântico e diz: "Eu nunca faria isso". Bem, tenho uma péssima notícia: você faz. Você geralmente é o amigo insosso que não disse o que deveria ter dito; a amiga compromissada demais para ter tempo de dizer ao amigo que ele e a amiga se amam; o vizinho que não chamou a polícia quando ouviu barulhos na casa ao lado. Aquela pessoa incompleta, incapaz de se mover e mudar o rumo das coisas.
Simplificando, eu provavelmente nunca serei a mocinha. Serei sempre a vizinha, a amiga, o incapaz. Tudo isso, é claro, falando especificamente de casos de amor. Na vida, é fácil ser a peça principal, mas no amor, talvez seja melhor ficar nas beiradas, assistindo, sendo uma plateia indesejada, até. Quando falamos de amor, o papel principal é o único que eu não quero pra mim.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Na borda do azul

Estamos deitadas na beira. Na beira da juventude, na beira da vida quase boêmia, na beira de uma piscina morna bem aqui, no fim do mundo. A água é doce, porque tem gosto de nós; gosto de jovem, gosto de quase, gosto de limite, gosto de menina. E apesar dos pesares, do fim talvez tão próximo, apesar de tudo e até, talvez, apesar de todos, é  o amargo dessa inércia que deixa o doce, doce. É esse fim iminente e tão certo que faz com que eu me sinta assim. Beirando. Com os pés na água morna, com os dedos brincando em todo esse azul, nesse futuro, nesse "não saber" que é  assim tão bonito. Não saber nem pra onde vai, nem de onde vem. No desconhecido que engana, na preguiça de saber. Então estamos aqui, deitadas, beirando tudo. Beirando a vida, porque ainda não queremos mergulhar nela. Beirando a certeza da temperatura, beirando o que queremos e beirando o não saber. Estamos na borda de tudo, porque o mergulho é, certamente, sem volta.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Último suspiro de carnaval

Me pego fantasiando sobre nosso próximo encontro. Sobre como eu honestamente deixei de me importar com tudo e todos, deixei de me importar com você, comigo, com os olhares que receberemos quando eu me agarrar à você e te prender sem usar correntes. Você vai querer ficar depois de me ver outra vez, estou contando com isso. Você e todas as conversas que tivemos, e os segredos que sabemos e as palavras que não foram ditas; o abraço que faltou na nossa despedida. Estou pronta pra você, pra nós dois, pra peitar o mundo e mandar qualquer intrometido para o quinto dos infernos. Estou aqui, contando os dias, me lembrando das conversas, sorrindo ao lembrar do seu sorriso. Estou aqui, imitando um temporizador, aguardando o bipe do alarme de carnaval, esperando, esperando, esperando... sei que vai vir. Espero tanto que sim. E se você me deixar aqui, de mãos abanando, cheia de vontade mas sem nenhuma ajuda, não precisa voltar para mim outra vez. É a nossa última chance, coração. Não me decepcione outra vez.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Golias

Não me faça sentir saudade. Por favor, não me venha com aquela história de que sente minha falta. Você nunca foi assim, o que é que você quer de mim agora? Não mereço sofrer por você outra vez. Tudo que eu quero é você aqui comigo, mas até a minha ingenuidade tem limite. Você deve pensar que eu sou idiota. Quem se deixaria enganar por alguém como você? Eu jamais pensei que esse tipo de coisa fosse acontecer outra vez. Não bastasse ter tentado arrancar de mim o meu coração e todo meu amor-próprio, agora você quer me destruir de vez. Não posso! Por mais que eu... eu... te ame, isso não pode mais acontecer. Olhe onde chegamos. Faz mais de um ano. Estou amarrada à isso, à essa roda-gigante, à esse vira-vira, à você! - há mais de um ano. E o que foi que eu ganhei, além de alguns hematomas e piadas sobre jornal? Nada. Foi isso que eu ganhei: nada. Tudo bem. Eu sequer me importo. Não mais, não agora. Agora que você vem com esse papo furado, com essa conversa fiada, eu não quero ouvir. Nem quero me enganar, como já quis. Agora eu quero paz de espírito e paz no coração. Venha até mim quando quiser um carinho, um agrado, uns amassos e até uma conversa boba. Mas não venha até mim se quiser amor. O meu acabou.

domingo, 25 de novembro de 2012

Perdido de mim?

Olho para o céu escuro
numa noite bastante nublada.
Minha vida está aqui, diante de mim,
sendo muito bem cantada
pela voz que, no momento,
está sendo dublada 
por mim.

Os fones de ouvido
gritam em minhas orelhas
palavras que zombam,
zunindo como abelhas
bem dentro do meu cérebro,
explodindo como fogos, em centelhas
de vida sem explicação.

Será que é assim tão tarde
pra eu te dizer que não dá?
Porque eu já nem tenho mais vontade
de te esperar. Sabe quem passou
por aqui hoje? A saudade.
E já se foi.

Já passou? É, passou.
O tempo passou assim.
Puf! Ainda estamos deitados 
olhando o céu sem fim,
enquanto seus dedos e os meus
trançam uma promessa pra mim.
Como passou?

Não sinto falta do que você dizia 
nem da voz que me acalmava.
É até engraçado, se eu parar pra pensar
em como eu deveria estar brava
por ter sido, assim, 
descaradamente trocada.
Mas não estou. Nem perto.

Talvez seja o momento.
Talvez daqui uns dias, daqui um tempo
eu perceba finalmente
quão grande foi o desalento.
Mas pra esconder essas coisas, o choro,
a fraqueza, bem, eu tenho talento.
Só não me faça cantar aquela música.


domingo, 4 de novembro de 2012

Ainda é cedo?

Quando penso que não tenho mais tempo, que talvez tenha perdido parte dele ou, quem sabe, desperdiçado muitas chances por motivos que não compreendo, me faço uma pergunta bastante simples: acabou?
À quantas chances tenho direito? Falhar uma vez me tira do jogo? E se eu quiser tentar outra vez? Por quanto tempo eu posso resistir e lutar antes de me render?
Quero outra chance, quero poder tentar outra vez. Mas não quero que dure para sempre. Essa história de ficar presa...
Estou me cansando de pedir desculpas e me cansando de sentir. Talvez eu seja obrigada a aceitar, de uma vez por todas, que realmente não fui feita para o romance. Digam o que quiserem - sobre amar, sobre amor, sobre ser amado. Talvez eu não queira nada disso. É doloroso, frustrante e tenso.  E essa sensação de responsabilidade me tira do sério. E aí, o que tá acontecendo aqui?, é o que tenho vontade de perguntar, mas não posso. Não devo, vai. Não tenho esse direito - não tenho direito nenhum. Não sobre ele. 
Sendo assim, é melhor desistir. Finalmente me render e parar de lutar. Quanto tempo? Nem me pergunte, porque só de pensar que realmente imaginei que dessa vez seria diferente, meu estômago me pune dando mil voltas. Eu sou tão estúpida quando quero.
Ainda é cedo para pedir desculpas e outra chance? Talvez eu lhe deva algumas desculpas, é verdade. Ou talvez você me deva um pedido desses. Sendo assim, é melhor ninguém dizer nada, e está tudo bem. Façamos esse acordo, o que você acha? 
Posso desistir dele e tentar outra vez com você. Posso me arrepender de fazer isso e voltar atrás com ele. Não posso?! 
Há duas semanas escrevi sobre querer amar. Agora não quero mais. Não quero mais me apaixonar, não quero mais você. Não assim, não distante, não sem saber de nada. Quero alguma outra coisa, algo que talvez você não esteja disposto a me ceder. Até imagino que seja a minha idade , sabia? O que ela sabe?, você se pergunta. Ela não sabe de nada, é a resposta que posso dar. Não sei de nada e nem quero saber. A vida sem saber é excelente, simples e descomplicada. 
A ignorância é uma benção. 
E eu a quero de volta.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Imagina que tempo feliz

Ah, bons tempos aqueles. Era agosto, comecinho de setembro. Eu dormia e acordava digitando incansavelmente no celular. Gostava de te dar bom-dia enquanto caminhava para a escola, às vezes com muito frio, às vezes assistindo o nascer do sol, mas nunca sozinha. Aliás, ainda não me sinto sozinha. Quero ligar pra você. Agora. Tem que ser hoje, melhor de madrugada. Quero saber como você está, mas não sei bem o que dizer. Talvez eu só fique em silêncio e te ouça falar, ou talvez fiquemos ambos em silêncio - mas até o seu silêncio pra mim já basta.


Está chovendo lá fora. 
Estou preocupada com você.
Será que eu penso que a gente namora?
A culpa é sua por me beijar.
Quanto tempo até eu te ver?
Por que você teve que ir embora?
Estou implorando pra você voltar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois meses

14 de outubro, 00h04

E agora?
Não sei o que estou fazendo. Não entendo o que estou sentindo. Será que é isso o nada? Essa sensação de vazio, de não se importar? Essa sinceridade, esse não querer, esse poder de dizer "sim" ou de dizer "não"? Se isso for ser livre, talvez eu queira continuar presa. Ou não. É que eu nunca fiz isso, eu nunca saí de dentro da minha gaiola. E eu repito como um papagaio velho, "nunca fiz isso", "não sei o que fazer" e "não sei o que dizer". Repito quantas vezes puder, pra ver se alguém me ouve, pra ver se alguém me entende. Pra ver se alguém me ajuda, me aponta um caminho, me dá uma luz. Só sorrisos e palavras mais doces do que costumo ouvir não me ajudam a escolher.
E agora?
Penso várias vezes em quanto tempo tenho para viver essas pequenas mentiras, fingindo que tudo está ótimo, que tudo está bem, que tudo está do jeito que eu quero. E acontece algo muito estranho: quanto mais se aproximam, mais me distancio. Mais quero a solidão, mais quero o nada. Esse nada tão querido que parece me abraçar e me acalmar, dizendo que sou jovem, dizendo que estou certa, dizendo que tenho tempo e que ninguém manda em mim.

Eu quero me apaixonar por você. Quero com todas as minhas forças que você me conquiste, me tire da dúvida, acabe com essa incerteza. Vem. Me ama. Me beija, me abraça, me desgasta, me enlouquece. Faz de mim o seu equilíbrio, faz de mim o seu coração, faz de mim as suas dores e as suas vontades. Eu quero ser sua, e quero que você seja meu. Quero ouvir a sua música quando você me ligar, quero ouvir a sua respiração no silêncio da madrugada, quero sentir os seus dedos no meu cabelo e seu corpo em choque quando tocar o meu. Quero a maciez dos seus lábios soprando meu ouvido, suspirando, sussurrando, murmurando com ternura e certo desespero qualquer frase que me faça rir de nós dois e da minha inexperiência. Eu quero você aqui. E quero agora, nesse instante de desespero, onde a dúvida me corrói com força. Tenho medo de me arrepender, preciso de um conselho. Seu. Preciso ouvir a sua voz; preciso me acalmar. 

Ai, ai. Ser tão jovem e tão inexperiente é realmente uma tristeza. Me atrapalha muito essa falta de informação, esse não saber. Eu estou apaixonada, e a negação sempre foi o caminho mais fácil. Mas será que eu sempre vou fugir? Fugir para sempre de mim mesma, de nós, de um futuro? Fugir de um "sim", de um "talvez", fugir de um "nós"? Um dia vou me sentir sozinha, e sei para quem vou correr, sei de que abraço vou  precisar, sei que sorriso vai me acalmar.



15 de outubro, 14h14

Estou disposta a lutar. Acredite em mim, confie em mim outra vez, por favor. Não faça isso comigo.
Eu não quero jogar todo esse tempo pro alto e esquecer.





quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dó menor à sétima


Eu não acreditei
quando ouvi você contar pros seus amigos
o que a doida da sua namorada fez

Até esse momento a gente era
um rolo um pouco longo
durava mais de um mês

Nunca me passou pela cabeça
que eu fosse pra você
coisa mais que um borrão

Achei que a gente era
aquele amor "não sobe serra"
que não dura mais que um verão

E ouvindo você rindo
e contando que eu matei
a barata atrás da nossa cama

Eu comecei a rir
e me toquei de que
dando amor a gente também ganha

Tipo quando eu te faço carinho
bagunço seu cabelo
e você só reclama

Isso quando não vem
e me aperta, me morde de verdade
pra mostrar quem é que manda

("E eu só peço que os bons ventos
te tragam de volta algum dia
pra eu poder dizer
que talvez tenha sido um novo amanhecer
na minha vida")

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quando eu descobri a nossa música

Aqui, eu já escrevi sobre amor. Já escrevi sobre sofrimento, aquele sofrimento adolescente, com dor no coração e traumas que, daqui há dois meses, eu nem lembro mais de onde vieram. Mas agora eu vou fazer algo que não me lembro de ter feito antes: vou escrever pra você. E vou fazer você ler.

"'Meu querido'.

sinto muito por ter dito coisas que não deveriam ser ditas. Sinto também por machucar você machucando à mim mesma. De todas as bobagens que já fiz, essa é a que mais me dói, afinal, atingiu você. Eu sei, eu sei, talvez daqui há um mês já não seja você o meu querido, talvez você seja apenas uma lembrança boa - ou talvez, quem sabe, não tão boa. Mas não quero isso. Pela primeira vez em meses, quase um ano de uma dor reprimida... pela primeira vez em muito tempo, quero alguém. Quero ter um número decorado, um toque especial no celular; quero reconhecer a lanterna de um carro, quero saber o cheiro que ficou na minha blusa, quero esperar uma buzina, saber de quem é a mensagem que está lá, piscando, quando eu acordo. 
E sabe o que vai acontecer quando você for embora? Eu vou acordar às três da manhã (com despertador) só pra te ligar e te desejar uma boa noite de trabalho. Como eu fiz há um mês, há três semanas, há duas semanas atrás.
Eu acabei de sarar, sabe. E não te contei. Por que eu não te contei? Não achei que você quisesse saber. Não queria te bombardear com problemas que estou tentando esquecer. Por quê? Porque não quero que você sinta o que eu sinto com meus problemas. Você não me pertence. Assim como eu não te pertenço. O que nós somos? Somos dois espíritos livres, dois corpos sem dono, duas pessoas que nem o destino explica como se encontraram. Foi um acaso tão grande, mas tão grande, e tão tipicamente brasileiro: foi pelo futebol. Você, fanático pelo seu time como eu sou pelo meu; uma combinação perigosa, mas infalível. Você, com o seu jeito de moleque sem juízo, me deixou fascinada. Tão tranquilo, tão risonho, e tão bonito. 
Quando a gente se viu pela primeira vez, já éramos amigos de longa data. Foi meio irônico, não sei se só eu percebi. Você ali, comemorando um aniversário que eu só vou comemorar daqui há dez anos, e mesmo assim era pra mim que você sorria. Tão jovem! Não eu, você. Tão jovem, tão moleque, tão perdido e mesmo assim, encontrado. Não sei se dá pra entender o que eu vi em você, mas não foi só um monte de tatuagens ou um carro preto raspando no chão; eu vi em você o que quero que as pessoas vejam em mim: eu vi uma pessoa amada. Uma pessoa que todos querem bem, e que quer bem todo mundo. Parece até letra de música do Arnaldo Antunes. 
Eu vi em você uma loucura gostosa, um sorriso verdadeiro que eu não via há muito tempo. Ali só tinha verdades; falsidade e aparência, eu não vi nada disso. Eu só via uma molecada descomplicada que se amava muito. Amizades de anos, e anos, e anos... E eu ali, mais perdida do que eu mesma; conhecia algumas pessoas, mas e aí? Onde eu me encaixava naquilo tudo?
Você veio me socorrer. Eu me deixei seduzir, é verdade. Por que lutaria contra alguma coisa que de cara, só me fez bem? Eu dei tanta risada e troquei gente muito importante, troquei uma festa que ficou marcada, troquei danças e bebidas por você. Porque você tinha muito mais pra oferecer, e eu ia ficar pra ver. Eu não podia sair antes do fim do espetáculo.

A culpa é toda sua.

Foi você que me ligou a primeira vez, que me mandou mensagem, que sorriu, que veio. A culpa é toda sua.
E eu tenho tanto a agradecer por você ter feito tudo isso!

Tem uma coisa que você não sabe sobre mim: tenho tendências depressivas constantes. Alguns amigos podem confirmar essa informação: sou uma pessoa triste e desacreditada. Do amor, da vida, da felicidade. Pra mim, é tudo conversa fiada. Ou era. Eu nem sei mais. E eu só não sei porque você tá aqui, na minha vida. Seja culpa do acaso, seja culpa do destino, seja culpa de ninguém: obrigada. 

Existe mais uma coisa; nós temos um detalhe importante em comum. Dallas Green e sua voz inconfundível.

Aqui eu deixo meu pedido de desculpas por ter dito alguma coisa que eu não deveria ter dito; honestamente, querido, desculpe. Prometo que tento não te deixar chateado nunca mais. 

E obrigada por me ajudar, me ligar e salvar a minha noite. A sua voz alivia a dor desse braço lesionado muito mais do que os anti-inflamatórios."