terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu preciso

Preciso de um amigo.
Alguém com quem conversar por horas sem cansar.
Alguém pra me dizer que estou feia.
Alguém pra rir comigo das piadas velhas.
Ou me dizer que a piada é velha e ruim.
Alguém pra pegar na minha mão sem ter medo.
Alguém pra dizer que não me aguenta mais.
E sem me magoar.
Alguém pra deitar comigo a tarde e dormir, assim, dormindo.
Alguém que me mande mensagem quando estiver sem sono.
E que tente me acordar pra não ficar sozinho.
Alguém com quem eu fale sobre sexo sem ter vergonha.
E que me conte detalhes que eu nunca imaginei.
Alguém que eu saiba que não quer mais nada além do que eu posso oferecer.
Quero um amigo, não uma amiga.
Porque amigas eu tenho, e levam anos pra confiar.
Agora homens, não.
É alguém mais rápido, prático, direto.
Alguém honesto, mas que não quer te irritar.
Alguém que não quer te jogar contra ninguém.
É alguém que eu preciso.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

8/5/2013

Não sei porque continuo fazendo as mesmas idiotices dia após dia. As mesmas coisas pequenas. Tirar o adaptador do secador de cabelo é motivo pra causar uma terceira Grande Guerra nessa casa, que já cai aos pedaços, num ritmo assustadoramente harmônico ao meu desespero.
Já não sinto mais ódio, ou medo, ou cansaço. Apenas uma forte crise de pânico e falta de ar.
Preciso começar a respirar melhor depois de ouvir a pessoa que eu mais amo no mundo gritar comigo, pela milionésima vez, pelo mesmo motivo. Me pergunto o que há de errado comigo. Porque não sou capaz de aprender. Coloque o adaptador de volta, ou ela te surra com o cabo. Coloque o adaptador de volta, ou ela se divorcia outra vez.
'Respire', é a única ordem que meu cérebro é capaz de dar. 'Respire'.
As lágrimas virão assim que eu deitar minha cabeça ruiva no travesseiro. É quase diário.
Assustadoramente previsível, me ponho a digitar até a ponta dos dedos doerem.
Preciso de ajuda, um pouco de pressão no meu abdômen, até conseguir respirar de novo. Meu estômago dói, minhas entranhas se fizeram num nó, meu cabelo continua bagunçado e meus olhos ardem, secos, com as lentes de contato.
Desliguei os fones de ouvido, arrumei o uniforme e repensei.  De novo. Vivo repensando e fazendo as mesmas coisas. Como meu choro, é um hábito quase diário.
Religiosamente peço à Deus que dê à ela paciência e à mim, responsabilidade. 
Os gritos dela ainda ecoam na minha cabeça vazia.
Não quero chorar. 'Você já tem 17 anos'. Continuo sendo criança. Não quero crescer, ou envelhecer, prefiro pular essa parte e chegar à velhice, talvez ao meu último dia de vida, e quando o último suspiro se formar em meus pulmões caquéticos, ter certeza de que esse oito de maio foi o dia em que deixei o adaptador no lugar errado pela última vez.
Erros e mais erros que me fazem crer na dimensão da minha estupidez. É vergonhoso e incurável.
Ela ainda vai ter que gastar muita saliva comigo. Muito ar, muitos gritos. Eu não quero que seja assim. UTI para falta de atenção, é isso que estou procurando. Alguém me ajude.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cicatriz

Prefiro descascar minhas unhas vermelhas,
sair sábado à noite sem maquiagem,
esquecer de fazer as sobrancelhas,
cantar em frente ao público sem coragem,
subir na casa e trocar todas as telhas,
esquecer de fechar o portão da garagem;

dançar sozinha no meio de todo mundo,
esperar no frio por uma carona que não vem,
ser confundida com um mendigo vagabundo,
perder a minha única passagem de trem,
ver um amigo doente e moribundo,
ou ficar moribunda também;

tem milhares de tragédias, sejam ou não relevantes,
que prefiro ver acontecer na minha vida;
tristezas que prefiro que aconteçam antes
de deixar cicatrizar minha ferida.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Na beleza do novo

A beleza de se apaixonar por um desconhecido é a descoberta.

Já me apaixonei incontáveis vezes, e imagine só, nunca amei ninguém. A paixão é muito mais bonita e invariavelmente mais indolor que qualquer forma de amor, porque o amor exige demais, e a paixão exige apenas um pouco de tempo. Pouco tempo, é sim. Aquele tempo que você passa sem pensar em nada, é quando você pensa na sua nova paixonite. É bonito, prático, rápido, e geralmente indolor. Indolor. Acredite, essa é a melhor parte.

Não é a primeira vez que sinto falta de uma paixão. As antigas já não suprem minhas necessidades e não há um conhecido que se faça notar. Não sei se é muito piegas dizer isso, mas vou dizer de qualquer forma: "estou cansada dos homens desta cidade; quero novos amores." Piegas. Brega. Previsível, clichê; escrever isso é um absurdo literário. Mas não deixa, em momento algum, de ser uma verdade irrefutável.

Então, peço uma última (ou talvez não) vez que algo aconteça e eu finalmente te encontre. Vagando por essas ruelas maltrapilhas, vestidas com trapos de concreto, relva saltando por suas veias. Me encontra, ou deixa eu te encontrar. Não é um pedido grande o suficiente para ser ignorado, ou é? Assim, difícil, impossível, por acaso? Eu não acho que seja.
Aliás, é bastante simples:
me dá uma direção que eu sigo.
Me dá um nome que eu acho.
Me dá um cheiro que eu lembro.
Me dá um sorriso que eu não solto.

Mas quem tornaria simples uma busca necessária como essa, quando a beleza da descoberta fica ainda mais explícita quando recoberta com lamentações?
"Levei tanto tempo pra te encontrar".
É mentira quando já se sabe onde está, mas a mentira não faz deixar de ser lindas as declarações, por mais falsas, fajutas, por mais desmoronadas, soltas, aleatórias. Não deixam de ser declarações de amor. De mim para você.

sábado, 20 de abril de 2013

Parênteses, apenas

Dentro do vazio que vive dentro de mim, existe alguém. Eu guardei lá no fundo, porque certamente me machucou muito, e eu não gosto mais de sofrer. Acredite, eu gostava. Aquele sofrimento de amor, saudade; sentir um aperto no coração, um arder na garganta, as mãos gelando, as pernas tremendo e o futuro fosco ilegível. Eu amava a sensação de estar apaixonada. Hoje, a abomino.
Sentimento imbecil é o tal amor. De certo, analisando agora, que nunca o senti. Nunca tive um Romeu, ninguém cuja vida equivalesse a minha. Nunca fui Julieta. Ou Isolda. Ou a Helena de um grego e um troiano. A sensação de sofrer por eles já senti, mas não sei como é quando sofrem por mim.

Tudo isso é apenas uma parte em parênteses, é verdade.

Agora, nesse instante, olhando pela janela, tenho certeza de que nunca vivi nada assim, bonito. Sempre vivi momentos, mas nunca vivi histórias. Falando de amor, é claro. E talvez eu nem queira viver. Nas histórias que li, havia sempre uma mocinha, um mocinho, um vilão e espectadores, ali, estagnados, incapazes de colaborar com a menor informação. Algo que o mocinho disse e que a mocinha deveria ouvir, sabe? Aquelas bobagens que a gente vê num filme romântico e diz: "Eu nunca faria isso". Bem, tenho uma péssima notícia: você faz. Você geralmente é o amigo insosso que não disse o que deveria ter dito; a amiga compromissada demais para ter tempo de dizer ao amigo que ele e a amiga se amam; o vizinho que não chamou a polícia quando ouviu barulhos na casa ao lado. Aquela pessoa incompleta, incapaz de se mover e mudar o rumo das coisas.
Simplificando, eu provavelmente nunca serei a mocinha. Serei sempre a vizinha, a amiga, o incapaz. Tudo isso, é claro, falando especificamente de casos de amor. Na vida, é fácil ser a peça principal, mas no amor, talvez seja melhor ficar nas beiradas, assistindo, sendo uma plateia indesejada, até. Quando falamos de amor, o papel principal é o único que eu não quero pra mim.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Na borda do azul

Estamos deitadas na beira. Na beira da juventude, na beira da vida quase boêmia, na beira de uma piscina morna bem aqui, no fim do mundo. A água é doce, porque tem gosto de nós; gosto de jovem, gosto de quase, gosto de limite, gosto de menina. E apesar dos pesares, do fim talvez tão próximo, apesar de tudo e até, talvez, apesar de todos, é  o amargo dessa inércia que deixa o doce, doce. É esse fim iminente e tão certo que faz com que eu me sinta assim. Beirando. Com os pés na água morna, com os dedos brincando em todo esse azul, nesse futuro, nesse "não saber" que é  assim tão bonito. Não saber nem pra onde vai, nem de onde vem. No desconhecido que engana, na preguiça de saber. Então estamos aqui, deitadas, beirando tudo. Beirando a vida, porque ainda não queremos mergulhar nela. Beirando a certeza da temperatura, beirando o que queremos e beirando o não saber. Estamos na borda de tudo, porque o mergulho é, certamente, sem volta.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Último suspiro de carnaval

Me pego fantasiando sobre nosso próximo encontro. Sobre como eu honestamente deixei de me importar com tudo e todos, deixei de me importar com você, comigo, com os olhares que receberemos quando eu me agarrar à você e te prender sem usar correntes. Você vai querer ficar depois de me ver outra vez, estou contando com isso. Você e todas as conversas que tivemos, e os segredos que sabemos e as palavras que não foram ditas; o abraço que faltou na nossa despedida. Estou pronta pra você, pra nós dois, pra peitar o mundo e mandar qualquer intrometido para o quinto dos infernos. Estou aqui, contando os dias, me lembrando das conversas, sorrindo ao lembrar do seu sorriso. Estou aqui, imitando um temporizador, aguardando o bipe do alarme de carnaval, esperando, esperando, esperando... sei que vai vir. Espero tanto que sim. E se você me deixar aqui, de mãos abanando, cheia de vontade mas sem nenhuma ajuda, não precisa voltar para mim outra vez. É a nossa última chance, coração. Não me decepcione outra vez.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Golias

Não me faça sentir saudade. Por favor, não me venha com aquela história de que sente minha falta. Você nunca foi assim, o que é que você quer de mim agora? Não mereço sofrer por você outra vez. Tudo que eu quero é você aqui comigo, mas até a minha ingenuidade tem limite. Você deve pensar que eu sou idiota. Quem se deixaria enganar por alguém como você? Eu jamais pensei que esse tipo de coisa fosse acontecer outra vez. Não bastasse ter tentado arrancar de mim o meu coração e todo meu amor-próprio, agora você quer me destruir de vez. Não posso! Por mais que eu... eu... te ame, isso não pode mais acontecer. Olhe onde chegamos. Faz mais de um ano. Estou amarrada à isso, à essa roda-gigante, à esse vira-vira, à você! - há mais de um ano. E o que foi que eu ganhei, além de alguns hematomas e piadas sobre jornal? Nada. Foi isso que eu ganhei: nada. Tudo bem. Eu sequer me importo. Não mais, não agora. Agora que você vem com esse papo furado, com essa conversa fiada, eu não quero ouvir. Nem quero me enganar, como já quis. Agora eu quero paz de espírito e paz no coração. Venha até mim quando quiser um carinho, um agrado, uns amassos e até uma conversa boba. Mas não venha até mim se quiser amor. O meu acabou.

domingo, 25 de novembro de 2012

Perdido de mim?

Olho para o céu escuro
numa noite bastante nublada.
Minha vida está aqui, diante de mim,
sendo muito bem cantada
pela voz que, no momento,
está sendo dublada 
por mim.

Os fones de ouvido
gritam em minhas orelhas
palavras que zombam,
zunindo como abelhas
bem dentro do meu cérebro,
explodindo como fogos, em centelhas
de vida sem explicação.

Será que é assim tão tarde
pra eu te dizer que não dá?
Porque eu já nem tenho mais vontade
de te esperar. Sabe quem passou
por aqui hoje? A saudade.
E já se foi.

Já passou? É, passou.
O tempo passou assim.
Puf! Ainda estamos deitados 
olhando o céu sem fim,
enquanto seus dedos e os meus
trançam uma promessa pra mim.
Como passou?

Não sinto falta do que você dizia 
nem da voz que me acalmava.
É até engraçado, se eu parar pra pensar
em como eu deveria estar brava
por ter sido, assim, 
descaradamente trocada.
Mas não estou. Nem perto.

Talvez seja o momento.
Talvez daqui uns dias, daqui um tempo
eu perceba finalmente
quão grande foi o desalento.
Mas pra esconder essas coisas, o choro,
a fraqueza, bem, eu tenho talento.
Só não me faça cantar aquela música.


domingo, 4 de novembro de 2012

Ainda é cedo?

Quando penso que não tenho mais tempo, que talvez tenha perdido parte dele ou, quem sabe, desperdiçado muitas chances por motivos que não compreendo, me faço uma pergunta bastante simples: acabou?
À quantas chances tenho direito? Falhar uma vez me tira do jogo? E se eu quiser tentar outra vez? Por quanto tempo eu posso resistir e lutar antes de me render?
Quero outra chance, quero poder tentar outra vez. Mas não quero que dure para sempre. Essa história de ficar presa...
Estou me cansando de pedir desculpas e me cansando de sentir. Talvez eu seja obrigada a aceitar, de uma vez por todas, que realmente não fui feita para o romance. Digam o que quiserem - sobre amar, sobre amor, sobre ser amado. Talvez eu não queira nada disso. É doloroso, frustrante e tenso.  E essa sensação de responsabilidade me tira do sério. E aí, o que tá acontecendo aqui?, é o que tenho vontade de perguntar, mas não posso. Não devo, vai. Não tenho esse direito - não tenho direito nenhum. Não sobre ele. 
Sendo assim, é melhor desistir. Finalmente me render e parar de lutar. Quanto tempo? Nem me pergunte, porque só de pensar que realmente imaginei que dessa vez seria diferente, meu estômago me pune dando mil voltas. Eu sou tão estúpida quando quero.
Ainda é cedo para pedir desculpas e outra chance? Talvez eu lhe deva algumas desculpas, é verdade. Ou talvez você me deva um pedido desses. Sendo assim, é melhor ninguém dizer nada, e está tudo bem. Façamos esse acordo, o que você acha? 
Posso desistir dele e tentar outra vez com você. Posso me arrepender de fazer isso e voltar atrás com ele. Não posso?! 
Há duas semanas escrevi sobre querer amar. Agora não quero mais. Não quero mais me apaixonar, não quero mais você. Não assim, não distante, não sem saber de nada. Quero alguma outra coisa, algo que talvez você não esteja disposto a me ceder. Até imagino que seja a minha idade , sabia? O que ela sabe?, você se pergunta. Ela não sabe de nada, é a resposta que posso dar. Não sei de nada e nem quero saber. A vida sem saber é excelente, simples e descomplicada. 
A ignorância é uma benção. 
E eu a quero de volta.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Imagina que tempo feliz

Ah, bons tempos aqueles. Era agosto, comecinho de setembro. Eu dormia e acordava digitando incansavelmente no celular. Gostava de te dar bom-dia enquanto caminhava para a escola, às vezes com muito frio, às vezes assistindo o nascer do sol, mas nunca sozinha. Aliás, ainda não me sinto sozinha. Quero ligar pra você. Agora. Tem que ser hoje, melhor de madrugada. Quero saber como você está, mas não sei bem o que dizer. Talvez eu só fique em silêncio e te ouça falar, ou talvez fiquemos ambos em silêncio - mas até o seu silêncio pra mim já basta.


Está chovendo lá fora. 
Estou preocupada com você.
Será que eu penso que a gente namora?
A culpa é sua por me beijar.
Quanto tempo até eu te ver?
Por que você teve que ir embora?
Estou implorando pra você voltar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois meses

14 de outubro, 00h04

E agora?
Não sei o que estou fazendo. Não entendo o que estou sentindo. Será que é isso o nada? Essa sensação de vazio, de não se importar? Essa sinceridade, esse não querer, esse poder de dizer "sim" ou de dizer "não"? Se isso for ser livre, talvez eu queira continuar presa. Ou não. É que eu nunca fiz isso, eu nunca saí de dentro da minha gaiola. E eu repito como um papagaio velho, "nunca fiz isso", "não sei o que fazer" e "não sei o que dizer". Repito quantas vezes puder, pra ver se alguém me ouve, pra ver se alguém me entende. Pra ver se alguém me ajuda, me aponta um caminho, me dá uma luz. Só sorrisos e palavras mais doces do que costumo ouvir não me ajudam a escolher.
E agora?
Penso várias vezes em quanto tempo tenho para viver essas pequenas mentiras, fingindo que tudo está ótimo, que tudo está bem, que tudo está do jeito que eu quero. E acontece algo muito estranho: quanto mais se aproximam, mais me distancio. Mais quero a solidão, mais quero o nada. Esse nada tão querido que parece me abraçar e me acalmar, dizendo que sou jovem, dizendo que estou certa, dizendo que tenho tempo e que ninguém manda em mim.

Eu quero me apaixonar por você. Quero com todas as minhas forças que você me conquiste, me tire da dúvida, acabe com essa incerteza. Vem. Me ama. Me beija, me abraça, me desgasta, me enlouquece. Faz de mim o seu equilíbrio, faz de mim o seu coração, faz de mim as suas dores e as suas vontades. Eu quero ser sua, e quero que você seja meu. Quero ouvir a sua música quando você me ligar, quero ouvir a sua respiração no silêncio da madrugada, quero sentir os seus dedos no meu cabelo e seu corpo em choque quando tocar o meu. Quero a maciez dos seus lábios soprando meu ouvido, suspirando, sussurrando, murmurando com ternura e certo desespero qualquer frase que me faça rir de nós dois e da minha inexperiência. Eu quero você aqui. E quero agora, nesse instante de desespero, onde a dúvida me corrói com força. Tenho medo de me arrepender, preciso de um conselho. Seu. Preciso ouvir a sua voz; preciso me acalmar. 

Ai, ai. Ser tão jovem e tão inexperiente é realmente uma tristeza. Me atrapalha muito essa falta de informação, esse não saber. Eu estou apaixonada, e a negação sempre foi o caminho mais fácil. Mas será que eu sempre vou fugir? Fugir para sempre de mim mesma, de nós, de um futuro? Fugir de um "sim", de um "talvez", fugir de um "nós"? Um dia vou me sentir sozinha, e sei para quem vou correr, sei de que abraço vou  precisar, sei que sorriso vai me acalmar.



15 de outubro, 14h14

Estou disposta a lutar. Acredite em mim, confie em mim outra vez, por favor. Não faça isso comigo.
Eu não quero jogar todo esse tempo pro alto e esquecer.





quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dó menor à sétima


Eu não acreditei
quando ouvi você contar pros seus amigos
o que a doida da sua namorada fez

Até esse momento a gente era
um rolo um pouco longo
durava mais de um mês

Nunca me passou pela cabeça
que eu fosse pra você
coisa mais que um borrão

Achei que a gente era
aquele amor "não sobe serra"
que não dura mais que um verão

E ouvindo você rindo
e contando que eu matei
a barata atrás da nossa cama

Eu comecei a rir
e me toquei de que
dando amor a gente também ganha

Tipo quando eu te faço carinho
bagunço seu cabelo
e você só reclama

Isso quando não vem
e me aperta, me morde de verdade
pra mostrar quem é que manda

("E eu só peço que os bons ventos
te tragam de volta algum dia
pra eu poder dizer
que talvez tenha sido um novo amanhecer
na minha vida")

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quando eu descobri a nossa música

Aqui, eu já escrevi sobre amor. Já escrevi sobre sofrimento, aquele sofrimento adolescente, com dor no coração e traumas que, daqui há dois meses, eu nem lembro mais de onde vieram. Mas agora eu vou fazer algo que não me lembro de ter feito antes: vou escrever pra você. E vou fazer você ler.

"'Meu querido'.

sinto muito por ter dito coisas que não deveriam ser ditas. Sinto também por machucar você machucando à mim mesma. De todas as bobagens que já fiz, essa é a que mais me dói, afinal, atingiu você. Eu sei, eu sei, talvez daqui há um mês já não seja você o meu querido, talvez você seja apenas uma lembrança boa - ou talvez, quem sabe, não tão boa. Mas não quero isso. Pela primeira vez em meses, quase um ano de uma dor reprimida... pela primeira vez em muito tempo, quero alguém. Quero ter um número decorado, um toque especial no celular; quero reconhecer a lanterna de um carro, quero saber o cheiro que ficou na minha blusa, quero esperar uma buzina, saber de quem é a mensagem que está lá, piscando, quando eu acordo. 
E sabe o que vai acontecer quando você for embora? Eu vou acordar às três da manhã (com despertador) só pra te ligar e te desejar uma boa noite de trabalho. Como eu fiz há um mês, há três semanas, há duas semanas atrás.
Eu acabei de sarar, sabe. E não te contei. Por que eu não te contei? Não achei que você quisesse saber. Não queria te bombardear com problemas que estou tentando esquecer. Por quê? Porque não quero que você sinta o que eu sinto com meus problemas. Você não me pertence. Assim como eu não te pertenço. O que nós somos? Somos dois espíritos livres, dois corpos sem dono, duas pessoas que nem o destino explica como se encontraram. Foi um acaso tão grande, mas tão grande, e tão tipicamente brasileiro: foi pelo futebol. Você, fanático pelo seu time como eu sou pelo meu; uma combinação perigosa, mas infalível. Você, com o seu jeito de moleque sem juízo, me deixou fascinada. Tão tranquilo, tão risonho, e tão bonito. 
Quando a gente se viu pela primeira vez, já éramos amigos de longa data. Foi meio irônico, não sei se só eu percebi. Você ali, comemorando um aniversário que eu só vou comemorar daqui há dez anos, e mesmo assim era pra mim que você sorria. Tão jovem! Não eu, você. Tão jovem, tão moleque, tão perdido e mesmo assim, encontrado. Não sei se dá pra entender o que eu vi em você, mas não foi só um monte de tatuagens ou um carro preto raspando no chão; eu vi em você o que quero que as pessoas vejam em mim: eu vi uma pessoa amada. Uma pessoa que todos querem bem, e que quer bem todo mundo. Parece até letra de música do Arnaldo Antunes. 
Eu vi em você uma loucura gostosa, um sorriso verdadeiro que eu não via há muito tempo. Ali só tinha verdades; falsidade e aparência, eu não vi nada disso. Eu só via uma molecada descomplicada que se amava muito. Amizades de anos, e anos, e anos... E eu ali, mais perdida do que eu mesma; conhecia algumas pessoas, mas e aí? Onde eu me encaixava naquilo tudo?
Você veio me socorrer. Eu me deixei seduzir, é verdade. Por que lutaria contra alguma coisa que de cara, só me fez bem? Eu dei tanta risada e troquei gente muito importante, troquei uma festa que ficou marcada, troquei danças e bebidas por você. Porque você tinha muito mais pra oferecer, e eu ia ficar pra ver. Eu não podia sair antes do fim do espetáculo.

A culpa é toda sua.

Foi você que me ligou a primeira vez, que me mandou mensagem, que sorriu, que veio. A culpa é toda sua.
E eu tenho tanto a agradecer por você ter feito tudo isso!

Tem uma coisa que você não sabe sobre mim: tenho tendências depressivas constantes. Alguns amigos podem confirmar essa informação: sou uma pessoa triste e desacreditada. Do amor, da vida, da felicidade. Pra mim, é tudo conversa fiada. Ou era. Eu nem sei mais. E eu só não sei porque você tá aqui, na minha vida. Seja culpa do acaso, seja culpa do destino, seja culpa de ninguém: obrigada. 

Existe mais uma coisa; nós temos um detalhe importante em comum. Dallas Green e sua voz inconfundível.

Aqui eu deixo meu pedido de desculpas por ter dito alguma coisa que eu não deveria ter dito; honestamente, querido, desculpe. Prometo que tento não te deixar chateado nunca mais. 

E obrigada por me ajudar, me ligar e salvar a minha noite. A sua voz alivia a dor desse braço lesionado muito mais do que os anti-inflamatórios."

domingo, 16 de setembro de 2012

Os clichês são honestos

Primeiro: eu me chamo de impulsiva, sim. Se não, eu não teria passado madrugadas em bares, nem ido à viagens, nem conhecido gente. O impulso me trouxe onde estou.

Segundo: isso no meu coração não é um buraco. Buracos foram feitos para serem tapados, cobertos, escondidos, preenchidos. Não. Você - infeliz infame, alma desgraçada, homem sem caráter, falho e desonesto - não conseguiu me machucar. Você não fez nada em mim. Nem cócegas. O que deixou aqui foi aquele clichê honesto, uma cicatriz. Eu estaca cutucando a casquinha, mantendo a ferida aberta, mas agora você mesmo costurou e fez um curativo. Clichê e meloso, mas foi o que houve de fato.

Terceiro: eu, com toda minha indelicadeza e toda minha falta de tato, até eu sou capaz de sentir. Então meça suas palavras comigo, porque além de vingativa, eu sou boa de memória.

Quarto: desculpe pelas frases vindas direto das páginas facebookianas como "Mulheres Malvadas", mas elas são indiscutivelmente verdadeiras. E apropriadas. Por ora.

domingo, 9 de setembro de 2012

Dia #2

Meu café frio descansa na caneca, enfeitando minha mesa.
Ouço uma música que na verdade, nada me traz de bom, senão o sentimento de abandono.
Daqui, da minha cama, vejo uma pilha de papéis. E livros. Eu deveria estar estudando.
O cálculo básico é simples: ele viajou mais de mil quilômetros para me dar um bronca.
Sinto a culpa corroer minhas entranhas como um veneno.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Feliz aniversário

Feliz demais para descrever.
Já sinto saudade.

Eu? Assim? Feliz!? Há quanto tempo, hein, felicidade. Honestamente, você tem sido pouco justa com a minha pessoa. Eu merecia mais dessa sensação deliciosa de calor sob a pele, esse frio na barriga. É como se eu nunca tivesse passado por isso antes; uma sensação nova, inimaginável, algo inédito. É como me sinto agora.

- Muito prazer.
Com um aperto de mão, finalmente fomos devidamente apresentados. Um abraço logo em seguida, é claro. E sorrisos. Tantos sorrisos.
Naquela noite, passei por dois momentos que merecem destaque. Primeiro, tive o prazer de dizer "não" àquele que nunca me negou, mas também nunca me deu nada. Segundo, eu pude desfrutar daqueles momentos em que ninguém sabe direito o que está fazendo, embora ambos queiram a mesma coisa. Aquele esqueminha de adolescente de 12 anos, sabe? (Não que eu seja algum tipo de adulta, mas...)
Um olhar acompanhado de um sorriso, um abraço, mais um copo, risadas e mais risadas, e mais copos, e então um alerta na minha cabeça: onde ele está?! Saiu. Com alguém. Buscar um amigo, é o que dizem. Tudo bem. Ele é o anfitrião, não posso roubá-lo só pra mim. Mesmo porque não tenho motivos. Ou tenho? Ou queria ter? Ai, meu Deus.
Eu quero.

Quando o José e o Souza já eram história, as garrafas vazias espalhadas por ali, eu soube que precisava fazer alguma coisa. Ou ir embora, ou tomar uma atitude. Mas eu não estava com meus típicos picos de atitude e coragem de sempre - estava meio travada. Falta de prática, talvez. Ou só medo. Medo?, você pode pensar. Você? Medo de quê? Medo da rejeição que além de possível, era provável.
Mas não. E, para me garantir que meu medo era só uma bobagem da minha cabeça que pensa demais, foi você.

Você sorriu primeiro.

sábado, 25 de agosto de 2012

Manchas de 'talvez'

No papel, milhares de manchas coloridas. Misturas de azul e vermelho. Muito azul. Muito vermelho. Um pouco de verde nos cabelos; no desenho, o vento sopra com força, e o rosto desenhado demonstra tristeza. Talvez, imagino, seja um reflexo do interior de quem pinta. Talvez seja eu, num papel, com mais cor do que a realidade permite. Talvez seja apenas uma face do que está aqui, preso e adormecido, não?, questiono. O papel enrugado e molhado, afinal aquarela usa muita água. O papel sempre esteve molhado, e eu posso nem ter percebido as lágrimas. Ou talvez elas estejam ali, no azul, quando sopro o excesso de água sobre a tinta. Sobre mim mesma, até.

Um dos rostos desenhados está tranquilo. É uma garota, uma garota doce, um pouco triste, admito, mas em paz. Ela tem o cabelo jogado e colorido, como é de esperar, e solta fumaça pelos lábios grossos. Talvez a fumaça seja o meu jeito de representar tudo que quero dizer, mas que ninguém parece ouvir. Como fumaça. Não se pode prender, mal se pode ver. Só existe, sem atenção. Fumaça cor-de-rosa, porque é doce. É doce e delicado. E inútil.
A única coisa em comum entre todos os rostos é que os olhos sempre estão fechados. Sonhando, talvez. Dormindo durante um pequeno momento. Uma piscadela e pronto, meio segundo de sonho, a imaginação à mil. Meio segundo de paz. Talvez, se mantivermos os olhos fechados, como no desenho, por toda a eternidade, possamos sonhar para sempre.
A garota ainda solta pelos lábios grossos as palavras que nunca serão ouvidas. A fumaça delicada e ignorada.

Pássaros, com enormes asas abertas, espantam o que há de ruim. No laranja forte, no verde pacífico, na mistura de várias cores e tons - penas tão coloridas quanto as reais, sim? Escritos perdidos entre um desenho e outro, porque tenho poucas folhas para usar, então abomino o desperdício de espaço. Tudo deve ser preenchido, seja com palavras, seja com cores, seja com manchas, seja com lágrimas, seja com uma pincelada suja, a mistura de todas as cores que possuo.

(Unfinished)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cinco laços

O vento sopra
e eu já não posso mais te ver
te levou embora
Se o sol se vai, começa a chover

Cinco laços
não há nada que possa
dizer ou fazer
que não me faça lembrar
e que eu possa esquecer

O verbo que te leva
é o mesmo que te trouxe aqui
Um capitão sem rumo
que encontrou em mim o seu navio
A âncora deixou a sua marca
mas pode ir em paz
alguém no passado me ensinou
a não correr atrás

O vento sopra
eu fecho a janela do meu quarto
(...)


domingo, 5 de agosto de 2012

À minha esquerda

O rapaz à minha esquerda segurava meus dedos com certo desespero. Amigos são pra isso; "aperte minha mão o quanto precisar, eu estou aqui". O outro, à minha direita, tinha olhos bonitos. E eu achei melhor avisá-lo do fato.
O rapaz à minha esquerda estava muito mais bêbado do que deveria, mas o que eu podia fazer? Já era muito bom que estivesse apenas bêbado. Mas ele continuava com aquele olhar perdido que tirava o meu rumo e também o meu sossego. Como se procurasse uma forma de fugir. E existem tantas...
Mas o rapaz à minha esquerda é muito mais forte do que eu julgara a princípio. Ele disse não, ele preferiu minhas mãos quentes e um pouco de grosseria. Eu queria poder abraçá-lo e garantir-lhe que, pela manhã, mal se lembraria de tudo e esta teria sido apenas mais uma noite, mas o amanhecer se aproximava de forma rápida, e eu não queria mentir. Nem poderia, na verdade. Ele saberia. Ele já sabia.

À minha direita, os olhos bonitos foram tomados pela vermelhidão típica, mas a conversa não perdeu o rumo. Havia algo de verde naquele olhar tranquilo. Talvez seja italiano, pensei. Muito branco e muito barulhento. Quando gritou com os amigos, tive certeza: italianíssimo.

Mas naquela mesa de bar, àquela hora da manhã, eu já não podia deixar de perceber que o rapaz à minha esquerda se fechava mais e mais contra sua própria vontade. Algumas risadas escapavam da boca cerrada, mas ele já piscava mais devagar e começava a se entregar. Não ao sono, não ao cansaço, não ao álcool corroendo suas veias. Começava a se entregar àquilo que lhe tomava as forças, algo sem nome, sem cor e sem cheiro, mas com uma força inacreditável. Eu apertei seus dedos, senti sua pulsação, tentava salvá-lo. Mas não podia. Não ali.
" Vamos?", convidei. "Tenho que ir embora em duas horas."
Ele sorriu. Não entendi esse sorriso.
Nunca entendo seus sorrisos.

Caminhamos pelos paralelepípedos à luz de postes elétricos, de mãos dadas por causa do frio, eu com a camisa dele.
Porque, apesar de tudo, ainda existe o cavalheirismo.

Conforme o caminho surgia e nosso destino chegava, eu ia criando uma consciência plena de que estávamos bem. Estava tudo bem. Nossos dedos entrelaçados eram muito raros, porque eram apenas dedos entrelaçados, sem entrelinhas. Estávamos em paz.
Mas é claro que quando a calmaria é grande...
Tinha que ser eu. Ele era bom demais e amigo demais e talvez até estivesse bêbado demais para perceber que eu resistia com força à tudo que me atirava naquela direção. Mas eu estava mais fraca, e num momento de loucura houve um deslize, um delírio, e acabou. Eu tinha feito.
Ele riu. Aquela risada que eu não decifrava, o sorriso que eu não entendia.
Usou um termo que eu não gosto para descrever erroneamente uma situação que eu havia causado. Tudo errado. Estava tudo errado. E, pra piorar tudo, ele deixou.
Por que ele deixou?

Na mesa do boteco eu anunciara à quem quisesse ouvir que havia um combinado. Um combinado que era nada mais que um limite. Algo que eu impusera. E agora, eu o quebrara.
Com ajuda.
Éramos dois idiotas.

Resolvido o problema e enterrado ali, naquela esquina, seguimos caminho.
Havia uma garçonete. Alargadores, cabelo ruivo, chopp grátis.
E havia ele, meu companheiro de boteco. Eu o entregaria nas mãos de quem derramava chopp bar adentro. Sem remorso, sem dor. Apenas alívio. Ela era boa com as mãos.

Não se passaram dez minutos. Eu juro pelo que há de mais sagrado.
O deixei na porta do bar, nos braços da ruiva, com seu sorriso gentil e seu jeito de menina. E ele, sorridente - como sempre. Desejei boa noite e virei para o outro lado. Desci o quarteirão e, sem pensar duas vezes, entrei. Subi o elevador, com sua velocidade super sônica, e logo estava dentro do apartamento, procurando um lugar pra dormir. Haviam corpos demais pelo chão, poucos colchões - e de repente, o interfone. O porteiro anunciou o nome de quem devia estar em mãos que derrubam chopp. Mandei subir, sai do apartamento e fui esperar no elevador. Haviam dois motivos: 1) eu queria saber por que estava voltando tão cedo e 2) não podia deixá-lo fazer qualquer barulho.
Quando a porta do elevador abriu, ele veio de cabeça baixa, muito rápido. Ficou surpreso por me encontrar ali, esperando.
- O que você está fazendo aqui?
- Vim pra você não poder fazer barulho.

Ele tomou minha mão e seguimos corredor adentro.
Entramos no apartamento, e eu disse "Fique quieto."
Depois disso, ficou tudo escuro. E tenso. E embaçado.
Eu já não sentia. E eu lutava muito contra, enquanto meu corpo clamava; clamava pelo calor. Pelo toque. Pela proximidade.
Ouve uma explosão, e ele sorriu.
Ele sorriu, e eu finalmente entendi seu sorriso.