domingo, 1 de março de 2020
carta de AA
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
[textão sobre violência] / 04 fev. 2020
Sentindo a ânsia me alcançando o esôfago, preciso falar.
Da minha janela vejo uma das ruas mais movimentadas do centro de Curitiba. Nessa rua existem duas estações tubo igualmente movimentadas, sempre transbordando gente; gente cansada que espera na fila que vira a esquina, gente de guarda-chuva, gente com criança de colo ou com o peso dos anos nas costas. Passo muito tempo observando esses pequenos aglomerados, ouvindo o burburinho das conversas, admirando o viver a cidade que se faz sem perceber. Portanto, não é novidade que eu acompanhe uma ou outra confusão que acontece por aqui.
Hoje, já tarde da noite, ouço gritos — altos o suficiente para que se sobreponham à minha música, alta por si só. Vozes masculinas, agressivas, estridentes. Minha janela, sempre aberta, enquadra a cena de violência: um homem, ainda dentro do ônibus, parece ter sido jogado ao chão, pouco atrás do motorista. Dois rapazes vestindo preto dos pés à cabeça — deles são os gritos — espancam o homem no chão; chutes e socos são o que consigo identificar. Paro tudo que estou fazendo e me coloco para fora da janela, pronta para chamar a polícia caso acredite que a briga tenha passado de qualquer um desses falsos limites que impomos à violência intrínseca ao nosso dia-a-dia. Os três descem no tubo; os rapazes, ainda revoltados, saem pela catraca em direção à esquina, a passos largos e ameaçadores e, encobertos por seus próprios gritos e xingamentos, lentamente desaparecem. Já o violentado parece conversar com quem ocupa o assento do cobrador do tubo nessa noite fria. Vejo pouco; além da minha miopia, que vence meus óculos com grau obsoleto, os vidros da estação têm uma camada de insulfilm em toda a parte que protege o cobrador, e é nessa direção que está parado o homem. Tudo parece calmo, resolvido; volto ao que quer que fosse que demandava minha atenção até o momento dos gritos.
Arrisco dizer que foi coisa de dez minutos (um pouco mais, um pouco menos) desde o fim da briga até a chegada da ambulância da SIATE, acompanhada de uma viatura da mesma categoria. Quando ouvi as sirenes e flagrei as luzes altas com o canto dos olhos, novamente me empoleirei na janela — curiosa, devo admitir. Graças à mesma miopia que me atrapalhara, mas também ao posicionamento da ambulância, não via nada. Percebi que socorriam alguém que estava nas escadas da estação tubo vizinha à primeira, onde se desenrolara a briga há pouco observada. Não conecto os fatos. Observo o desenrolar da cena durante alguns minutos; enquanto isso, estacionam atrás dos carros da SIATE viaturas da Guarda Municipal, de onde descem vários homens fardados. Logo, mais uma viatura; dessa vez da Polícia Militar. Enquanto mais carros chegam, vejo os bombeiros da SIATE erguendo um homem que parece, a essa distância, inconsciente, ou perto de estar. Alguma movimentação acontece na calçada, atrás da bendita ambulância, impedindo que eu acompanhe os fatos com mais detalhes, até que a maca é erguida e vejo o homem: magro, de pele parda, sem camiseta ou calça — suspeito que suas roupas tenham sido removidas durante a ação dos socorristas, por motivos que estão além do que meu raso conhecimento permite compreender. A maca é colocada dentro da ambulância, e vários policiais cercam a porta; parecem esperar que algo aconteça. Durante longos minutos não há novidades ali, apenas mais policiais e um homem carregando uma câmera que identifico como sendo uma dessas de reportagem. O assunto — e o ferimento — deve ser mais sério do que assumi. Mais alguns minutos se passam até que finalmente a ambulância é fechada e vai embora, sirene soando, luzes fortes anunciando sua pressa.
Com menos velocidade do que chegaram, as viaturas partem, mas ainda há um aglomerado de homens fardados que parecem conversar amenidades com um outro homem, alto, vestindo camisa social e um blazer que, eu diria, é um pouco pequeno para seu porte. Repentinamente surge um microfone em suas mãos, e a câmera é acionada; uma luz forte e branca ilumina quase toda a calçada, apontada para o homem corpulento, que começa a descrever quaisquer que sejam os fatos. Quando percebo que a história será explicada, desligo minha música (que já passara a ser apenas um som ambiente há muito tempo) e estico o pescoço para fora, atenta. "…Podem ter sido até três facadas", ele diz, e eu me encolho. Facadas. Ele caminha pela rua, pela calçada, entra no tubo — o primeiro, onde vi a briga. Então, com palavras que agora me fogem a memória, ele começa a descrever o sangue; há sangue dentro do tubo, na escada, em peças de roupa na rua. Se não for alucinação minha, ele chega a tocar numa peça e dizer "Uma jaqueta, cheia de sangue", ou coisa que o valha. Para meu choque (ingênuo da minha parte, sim), o repórter, seguido sempre de perto pela câmera, caminha por trás do tubo, narrando o que deve ter sido o caminho feito pelo homem ferido, que parece ter ido buscar socorro na segunda estação (é o que ele diz ao microfone), e lá ficou, caído nas escadas. Meu estômago parece dar três piruetas e então, um nó. Graças à luz branca, cujo papel é permitir que toda tragédia seja vista com clareza pelos telespectadores sedentos, sou capaz de enxergar mais roupas ensanguentadas jogadas no chão. O homem continua descrevendo com detalhes as marcas da tragédia recém acontecida, mas não ouço mais. Percebo que assisti toda a história; os agressores, a vítima, o motorista do ônibus que simplesmente foi embora (diante de uma situação dessas, há algo a se fazer?).
Enquanto assimilo a terrível realidade do crime que ingenuamente observei acontecer, duas pessoas se aproximam do primeiro tubo, onde acabo de enxergar uma poça de sangue. Mesmo que de longe, com pouca visão e muitos obstáculos, é uma cena chocante de se observar. Entendo que as duas pessoas são responsáveis pela limpeza, acionadas para garantir que, pela manhã, quando a vida voltar a acontecer em seu ritmo alucinado e contínuo, não haja sinal algum da tragédia ocorrida. Com um jato d'água e algumas esfregadas vigorosas, o sangue — a prova, a evidência, a marca — se vai; pronto para a próxima.
A efemeridade da vida acaba de passar bem diante dos meus olhos. A naturalidade com que tratamos a violência me enoja, bem como me aterroriza; o que precisa acontecer para que nos choquemos? Um homem é esfaqueado dentro de uma estação tubo; uma criança é baleada no quintal de casa; um marido mata esposa e filhos durante uma crise de ciúmes; um presidente assassina um general de outro país. Por que, quando penso numa maneira de descrever cada um desses casos, me vem à mente "pequenos absurdos"? Não são pequenos. São tragédias. São vidas; e não valem nada. Não valem? Quando foi que passamos a vender morte como uma boa manchete e nada mais?
Hoje, estudo para ser urbanista. Gosto de política; política urbana, segurança pública. Espaço coletivo, público, que deveria ser seguro para todas e todos. Não é. Não tenho estômago para propor a discussão, hoje estou apenas apresentando uma história. Mas nós precisamos falar sobre isso. Sobre tudo isso. Sobre segurança, sobre saúde pública, sobre a cidade e o por quê de nossas ruas se tornarem, dia após dia, um espaço de opressão, e não de liberdade.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
When I knew that I lost you
When I succumbed to those desperate desires,
sneaking out of this pile of self-destruction
just to dig into a well of false confidence
I lost you.
When I gave up on having your eternal company
just to allow my tongue to taste
a sip of your scent,
I lost you.
When I guaranteed, drunk and lonely,
that I could keep this train on track,
despite my clear eagerness for the wet touch
of your fucking lips;
when you asked me not to;
when I stripped down my clothes,
my lies
and my fears,
allowing you to look at me for the first time,
seeing so much more than your eyes had age to acknowledge;
I lost you.
When I granted myself the privilege
of belief, knowing the unwanted truth,
I lost you.
September 11, 2019
sábado, 11 de janeiro de 2020
Percepção
Novos sentimentos,
Fosse a vulnerabilidade, as lágrimas,
Você, cuidadoso, não ofereceu ajuda,
Não consigo pensar
em um túmulo mais agradável.
Morreria dez vezes
se a cova fosse seu abraço.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Maria
O único problema é que não sou.
domingo, 24 de novembro de 2019
the one
hold it all together.
swallow that hard pill today,
and be aware
that you will swallow it again
tomorrow.
hold it;
keep it all together.
take every piece of
what once was a feeling
and make sure to put it all
into a big glass jar
right above your bed
so it will be an effective reminder.
hold it;
get your shit together.
I don't know where you got
this idea of
being vulnerable,
but I suggest you let it go.
there is no time for you
to suffer.
there is no time for you
to cry.
there is no place in your life
even for the tiniest doubt.
not now.
hold it;
hold your breath.
hold it until
you can't feel
anything
at all —
and then
move forward.
for that is who you are
that is who you were
and that is
pretty much
who you will always be.
the one who holds it all
and never let anyone fall;
never allows the boat to sink;
never surrenders to the storm;
the one
who stands.
sábado, 9 de novembro de 2019
Trechos
Perdi a contade quantas vezes
quis te escreversó na última hora.[09.11.19, 21h06]
terça-feira, 5 de novembro de 2019
threat
I used to be, not long ago
when the sky would seem to swallow my soul
the trees would howl my name in the dark
and even the wind felt like a threat.
But now
I've cursed the sky
torched it with my stormy anger.
I've warned all living things,
my steps weighing existence itself,
carrying all my unshed tears.
I am the echo of a sacred silence.
I am the thunder reaching your bones.
Now
I am the only threat.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Counting on me
I carry too many scars.
The past I cannot leave behind,
the memories I cannot deny.
I know, I know
I carry too much weight.
Guilty for my mistakes
and for everyone else's, as well.
I know, babe, I swear I know
I shouldn't be drinking
I shouldn't be running
I should look into my own eyes
and tell myself to calm the fuck down.
But I can't.
I know, sweetheart, I heard you
the first time,
but once in a while I simply can't get up,
my shoulders won't stand that much exhaustion,
my knees can't find enough strength;
once in a while
I allow myself to be weak.
I know, I know
you are counting on me.
Everyone is.
What you don't know
is that I am not.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Medo
veterana de guerra;
meus ossos doem,
minha pele exibe
o cansaço da existência,
e já não cubro mais
as marcas
em meu rosto.
O amor me feriu
de forma tão cruel
[as cicatrizes ardem]
e eu me percebo
temerosa.
Não me machuque
[mais].
A dor
tornou-se
inerente
ao amor
e não posso,
não consigo
— e honestamente,
não quero —
me desapegar
do meu medo.
Pois quão perigoso
pode ser
permitir-me acreditar
em quem quer
que seja?
Baixar a ponte,
desligar a cerca elétrica
e destrancar as portas
me parece má ideia.
Deixar alguém entrar
soa como o princípio
do fim.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Amargo
Cê não sabe quantas vezes planejei minha despedida nos últimos treze dias. Toda noite me preparo para te dizer adeus; adeus à tudo que finjo que você representa, adeus às nossas conversas infindáveis, adeus à esse conforto que encontrei na sua compreensão profunda de tudo, absolutamente tudo sobre mim. É injusto. Não pode haver alguém no mundo que me leia com tanta facilidade. Alguém que ria junto comigo exatamente das mesmas palavras. Alguém que possua tanto poder para me magoar como você, agora, neste instante. Não posso permitir que você exista, entende? A sua presença no meu cotidiano é uma afronta à todos os cuidados que tomo para nunca mais ser machucada. Passei anos erguendo estes muros, e pra quê? Você chegou carregando todas as chaves.
Vinte de agosto de dois mil e dezenove, 21h10
Te deixei para trás e não sei como não me desfiz em lágrimas quando o "Tchau" escapuliu desses meus lábios falsos. Amaldiçoo todos os meus sentimentos. E o dia em que te descobri linda carcaça.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Adeus?
de passar meu telefone,
de acreditar nas suas palavras,
de não seguir meu instinto
que apitava como um alarme,
soando ensurdecedor,
avisando
que algo estava errado.
Me arrependi
de confiar no tempo;
como pude não suspeitar
desse seu tom ameno,
desse seu aparentemente
inofensivo retorno?
Me arrependi
e agora estou aqui
lembendo as feridas
que deixei você
abrir.
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Unlucky
toda a minha vida
eu tenha
deliberadamente
tomado todas as decisões
erradas
e agora
precise lidar
com todas as consequências
que nunca medi.
Não escolhi
me sentir tão vazia
e distante
a ponto de ser incapaz
de me enxergar
pertencente
ao que quer que seja.
Definitivamente
não escolhi
carregar sob os ombros
o peso de um planeta
imaginário,
habitado por paranoias
e uma fauna completa
de inúmeras
inverdades
criadas especialmente
para (e por) mim.
Não escolhi
sempre me apaixonar
por meninos:
ou imaturos,
ou distantes,
ou bêbados,
ou apaixonados eles mesmos
por outra pessoa.
Não escolhi
(por que quem em sã
consciência escolheria)
viver de forma avessa
à essa aparentemente popular
inércia emocional,
sentindo tudo com
força demais;
há choro, riso, ódio,
êxtase, dor, abandono.
Exposta às influências do mundo,
e à sua mercê.
Não escolhi,
mas me sinto.
Mas carrego.
Mas me apaixono.
Mas vivo.
Que falta de sorte
a minha.
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Passageira
você não se lembrará
de como soa minha risada
ou de ter descrito
a cor dos meus olhos,
mas sei que há de lembrar
as lágrimas que derramei
e os suspiros
pesados como chumbo
que deixei escapar.
Quando eu passar,
você terá vislumbres
da brasa morna dos meus cabelos
em sonhos [ou pesadelos],
mas a minha voz
soará clara como água,
rugindo palavras de ordem
a torto e a direito,
dando à mim mesma
desequilibrada importância.
Quando eu passar
terei sido nada mais que
uma breve centelha,
e muitas vezes me assombra
essa constatação;
em outros momentos,
me resta apenas aceitar
que é isso que sou,
é o que tenho sido,
e é o que serei.
Suave lampejo,
um vislumbre inconsciente,
habitante das memórias distantes,
um sopro
passageiro.
domingo, 30 de junho de 2019
esvair-se
sábado, 29 de junho de 2019
mirror
my everyday mirror
but there's someone else
in the reflection.
I'm walking down
the street I walk
everyday
but there is
someone else
on the shadow.
Who's that person
taking my place?
And why am I
fading away...
14.06.2018
domingo, 23 de junho de 2019
vazia
entope as veias, abarrota os quartos
vaza pelas frestas e invade todo resto
ser vazia é um sentimento imenso
ocupa todos os meus pensamentos
invalida minhas conquistas
fere meus momentos de paz
ser vazia é um sentimento complicado
emaranhando todas as minhas certezas
perpetuando minhas dúvidas
[e de tempos em tempos
vem e me arranca um pouco das entranhas.]
ser vazia é um sentimento que corrói
e muito em breve não terá restado nada de mim
senão qualquer lembrança
de alguém que tentou não pular da janela
tentou não beber veneno nem usar uma faca
a lembrança de uma tentativa
a lembrança de um imenso vazio
preenchido com tanto de si
que se foi.
quarta-feira, 12 de junho de 2019
stone-hard
pretending to be stone-hard.
how much did it mean to you
how much did it hurt you
how deep has your sorrow penetrated
why can't you come back to the surface
why would you keep diving
why ain't you resisting
how does it feel
to perceive your bones sinking
how does it taste
the salty flavor of your tears
how vast is the solitude
you surrendered to
how long did it take for you
to realize
you are going to be alone
forever?
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Novo
É engraçado como tenho pensado muito em você nos últimos dias. E apesar das minhas constantes reclamações no Twitter, sua ausência virtual me fez lidar com uma ridiculamente previsível rejeição. Antes de você saber que teria que me dar um fora, eu já estava preparada para ele. O problema foi que você não me deu o fora; ontem você me perguntou quando eu volto pra Curitiba, porque, pelo que entendi - e tentei ser absolutamente cética quanto à finalidade da sua pergunta - você quer me ver de novo.
Mal nos falamos nos últimos dias. Não vou entrar em detalhes, mas te convidei pra sair, pra tomar uma cerveja, para vir até em casa, e você não topou. Disse que queria sair comigo de novo, mas não naquele dia. E desde então, meu interesse foi diminuindo em velocidade automobilística. Não há maneira de eu me manter interessada quando conversar com você é tão difícil. Tive dias ruins, e você até tentou se dispor, mas sinceramente, nem poderia. Somos meio conhecidos com um interesse em comum que não inclui me acalmar durante uma crise de ansiedade. Essa mensagem, portanto, é apenas para que eu me lembre. Lembre-me de que tentei, de fato, e que inclusive acabei de te enviar uma mensagem, sabe-se lá a troco de quê - mas mandei. Mas não espero resposta. Honestamente, nem quero. Foi um ponto final.
quinta-feira, 23 de maio de 2019
Mais ou menos nove bons motivos
logo pela manhã
me pergunto incisivamente
por quais motivos
ainda não pulei
da janela do meu apartamento.
Geralmente concluo
mais ou menos nove
- bons - motivos.
Primeiro:
minha mãe ficaria triste,
e eu não vim pra este mundo
para fazer minha mãe se sentir assim.
Segundo:
meus irmãos sentiriam minha falta.
Terceiro:
meus cachorros sentiriam minha falta.
Quarto:
meus amigos ficariam tristes,
e eu não vim pra este mundo
para fazer meus amigos se sentirem assim.
Quinto:
meus avós ficariam muito tristes,
e eles estão velhinhos demais para
ficarem muito tristes,
especialmente por minha causa.
Sexto:
ainda não me resolvi com meu pai,
e isso o assombraria para sempre.
Sétimo:
eu ainda não fiz um projeto do qual
sinta um grande orgulho.
Oitavo:
muita gente precisa de mim,
e apesar de ser o motivo
de todo meu estresse,
eu jamais abandonaria
meu trabalho pela metade.
Nove:
...
Como eu disse,
mais ou menos
nove bons motivos
todos os dias.
Em algumas manhãs incluo
meus próprios desgostos
e frustrações,
como, por exemplo,
nunca ter deixado
marca alguma no mundo.
Às vezes decido
tirar meu pai dessa lista;
mas esses são dias
em que acordo chateada.
A culpa é mais minha
do que dele.
Num geral
tento me lembrar
de quem me ama
e quem eu amo,
e me lembro
que não quero magoá-los,
não quero abandoná-los,
e que por pior
que seja o sentimento
de existir,
na maioria das vezes
encontro boas razões
para me levantar,
olhar pela janela
e não me jogar dela.
Alguns dias
são mais difíceis que outros,
nem sempre eu consigo,
e aprendi
que tudo bem.